sábado, 24 de dezembro de 2011

L'amour toujour

 A insônia cruel da madrugada me faz imaginar que a rachadura na porcelana de meu coração jamais irá se fechar, talvez seja assim com todo mundo que tenha se apaixonado e se machucado. Nesta selva de infidelidades e sexo a três, a rara chance de um amor puro dar certo nem sempre existe, pois ele normalmente não resiste aos incidentes que o caminho propõe ao casal e de fato ele se esvai com facilidade, pode ser por sua ingenuidade ou pelo fato de ser tão frágil que qualquer coisa lasca sua proteção de porcelana e destrói a peça aos poucos. 


 Esse texto hoje não está sendo feito pra ser bonito ou limpo, nem ter frases fantásticas, já que ele é um desabafo sincero sobre uma das minhas maiores frustrações: O amor.  Ele e eu nunca nos demos bem, de fato, já que normalmente estamos na contramão ou apressados demais para resolver nossas diferenças. Mas eu venho observado os casais que se amam, mas não se permitem e deixam passar a chance de viver algo mais profundo, só por causa da ilusão de segurança que dá estar em cima do muro. São tolices que eu ouço sobre medo de se envolver que me fazem até rir, pois se existe o medo é que provavelmente você já esteja na beira da situação e assim como pular de para quedas, dá sempre incerteza se entregar pra alguém, mas foda-se, as vezes vale a pena se for sincero. Concordo que haja a dor, mas deve-se arriscar, pois por mais que possa doer também pode cicatrizar.
   
  Eu não acho que amor seja para sempre e quem acredita nisso está fadado a sofrer sempre que um amor acabar e dizer que não amará de novo, como se isso fosse algo controlável. Nem sempre podemos dizer que não vamos amar, podemos dizer que não vamos ficar com alguém, mas não o que sentiremos. Suprimir o amor é como tentar segurar o ar ou amarrar as nuvens, pode até ser possível, mas não por muito tempo, pois ele vai dar um jeito de pegar no seu pé as uma e quarenta da manha, te tirar o sono e fazer você pensar naquele rosto lindo que o oposto tem.


  Amor não tem quantidade e pode agregar mais pessoas numa relação sim e isso não torna a relação uma putaria sem limites, alias nada torna nada uma putaria se não as intenções que guiam o ato.Quem entende isso é capaz de ter as mais belas relações entre os seres humanos, pois não irá limitar seu amor a ciúme e posse ou a outros sentimentos que nem sempre cabem, mas acham um espaço pra envenenar aquilo que era belo.


  Para finalizar meu texto frustrado, que eu e o amor ainda estamos ressentidos um com o outro, pois eu não consigo confiar na forma que ele se apresenta para mim, pois da ultima vez o estrago foi imenso e como disse antes, estamos sempre na contramão, talvez por que eu não saiba exatamente como amar ou por que ele não tenha sido tão caridoso comigo no passando, mas descobrir a culpa não vai consertar o que quebrou. A unica certeza que eu tenho é que bem lá no fundo existe em mim a vontade plena de confiar nos abraços nem sempre tão disponíveis que ele me propõe. Acho que é só isso.


PS: O titulo está em francês por que é a lingua mais romântica na minha opinião e também é o nome da musica eletrônica que me inspirou a escrever. Procurem a tradução do nome pois irá fazer mais sentido. Claro que eu poderia ter deixado aqui, mas perderia a graça. E quanto aos que entenderam a mensagem que eu mandei, sejam felizes!

sábado, 26 de novembro de 2011

Quase sem querer




 Estamos vivendo a primeira semana do improvável, já que nossos corações se encontravam escangalhados depois de tanto bater cabeça nos braços de quem talvez não tenha aproveitado bem a nossa companhia. Eu andava até que distraído na minha vida e você surgiu meio que por acidente e como sem um plano acabamos nos encontrando e reencontrando tantas vezes que me tornei um fã de sua arte de atuar e a capacidade impar de apaixonar com os olhos de vontade.


 A verdade é que procuro um motivo pra estarmos juntos e nem sempre o acho, pois pra mim esse nosso namoro nasceu como nascem as canções, sem hora ou aviso prévio e se eterniza sempre quando está entre meus braços e me beija com a boca de paixão, dizendo que não quer me perder e revela um pouco do medo oculto de estar mais uma vez entregue a alguém que não mereça tudo que você tem para dar.


 Para ser sincero eu as vezes também me pego apavorado com o fato de que você é uma mulher incrivelmente fantástica, com lábios, vontades e sonhos tão encantadores que nem sempre sei como posso te dar o que precisa pra torna-los palpáveis ou ao menos ajudar que se concretizem. Não revelo meus medos, para não desencorajar você, mas os olhos mais atentos dizem sinceramente que nem sempre sei o que fazer contigo do meu lado, pois você como eu já disse e não me canso de repetir, é um mulherão dona de um corpo da cor do pecado que me faz desejar amarrar todas as minhas angústias em outro lugar, só pra dar a você mais daquela segurança que eu crio quando sussurro no teu ouvido Eu te adoro e faço do teu corpo um abrigo pra minhas maiores loucuras.


 Resumindo mulher, desejo você de tantas formas que agradeço aos deuses por terem quase sem querer colocado você naquele posto numa sexta feira que não tinha nada além de uma malicia sutil, mas tornou-se esse nosso romance. Aproveito aqui  também pra pedir mil desculpas se usei palavras repetidas, mas quais são as palavras que nunca são ditas, não é mesmo?



terça-feira, 22 de novembro de 2011

Sobre as manhas de domingo

Depois de acordar do teu lado reparei que as manhas tem um sabor engraçado quando elas começam com um beijo seu. Não digo que me viciei nos teus delirantes suspiros e nem mesmo que não viverei mais um dia sem eles, pois seria exagero tremendo, apenas digo que te ter como par em qualquer noite me deixa extasiado, quase que com aquele sorriso bobo que é comum num homem quando está diante de uma mulher fabulosa.


É claro o meu nervosismo juvenil quando tomo você em meus braços e conduzo um beijo para teus lábios, pois nem sei sempre qual é a medida do beijo que lhe cai bem e como numa dança as vezes me pego lembrando dos princípios básicos, me guiando inseguro, sentindo o sabor de tua lingua que me apaga a sede e aumenta o fogo do meu corpo, que se alinha nos teus contornos, pedindo mais um pouco dos teus olhos e tentando tirar de você mais sorrisos ou suspiros que revelem sua satisfação em estar comigo.


Nem sempre deixo os meus pensamentos a sua disposição, pois como todo bom homem sei que a alma do negócio é deixar um pouco escondido para aquelas conversas a dois, que surgem numa varanda, entre um trago e outro, quando deixamos o vento bater e a tarde cair, antes de nos despedirmos e começarmos uma nova semana, na esperança de que na sexta nos encontraremos de novo.


Não sei se rola saudade ai da onde você está sentada ou se é apenas alguma coisa passageira e honestamente não pretendo mesmo ficar pensando nisso, pois acredito que somos mais gostosos sem essas pequenas dúvidas que não nos cabem mesmo. Prefiro deixar o momento revelar o fato de que pra mim são nossos beijos que deixam boa parte do meu dia alegre e que são seus olhos que me agradam admirar enquanto o sol se despede num fim de tarde de domingo.


A mais pura lógica se despede quando me deixo levar pelo jogo sutil que os deuses revelam para mim, quando me surpreendo com seu jeito as vezes parecido com o de mãe, me olhando e pedindo pra que eu me comporte ou obedeça alguma regra não tão necessária, mas realmente importante. Acho graça desse seu ar tão cuidadoso comigo e me pego tendo o mesmo comportamento preocupado contigo, quando deixa escapar que não está muito bem.


Como da primeira vez, não defino ainda em palavras o que somos, pois acredito que ser definido nesse momento ou em qualquer outro, algo banal que vale só pra quem quer viver para ostentar e não para experimentar o que lhe é oferecido. Prefiro então dizer que me delicio cada vez mais com você em minhas manhãs, tardes e noites e continuo dizendo que deixo a cargo do acaso os próximos encontros ou desencontros

Freak Show

Um monstro adormece dentro de meu peito enquanto vejo por ai teu sorriso de prostituta se esvaindo nas mãos de outros cafetões doidos para vender você.  Eu era um apaixonado por tudo que você significava e dei valor extremo ao teu gosto e ao teu gozo, mas para variar no dia seguinte você me devolveu o gosto pálido da sua amizade frígida. Me alimentando das sobras da tua carência, você me transformou num tipo de parasita insolente que consome na alma a falta dos carinhos teus.


De todos os cegos que existem em nosso castelo, você é o pior deles, pois não consegue nem ouvir a voz murmurante que está falando sobre os nossos momentos tão perfeitamente engendrados por algum agente do destino que sem ter nada melhor pra fazer me fez conhecer essa sua timidez tão desnecessária e que com cada gesto infantil ou risada fazia meu dia não ser mais como deveria ser.


Ser forte nem sempre significa saber voar todos os dias e nem é necessário para sorrir, ficar girando a todo momento. Todo ser deveria saber o momento de parar de correr e seria tão bom poder te mostrar que tudo o que eu mais quero é cuidar dos teus sonhos e deitar seu corpo no chão da sua sala e fazer dele parte de mim e mesmo sob os olhares de todos os abutres lhe inundaria a casa, tamanho o orgasmo que nós teríamos.  Sou a volúpia ardente dos dias de sol, que invade  a sua casa quieta e aos poucos toma sua mente vazia e lhe faz sair para dançar na chuva.


Num mundo morcegos e raposas já dividiram camas e lençóis comigo, eu já estive dentro de muitas das grutas que você um dia há de sonhar provar e fiz de mim um exímio par para o pecado das línguas que não se cansam de tornear o nosso sexo. Eu não me importo em dizer que profanei até o ultimo sentido a santidade de namorar e como um anticristo eu profetizei um novo evangelho, onde tudo é permitido e o maior templo do homem é o corpo pagão do par.


Em resumo, eu fui divino e ao mesmo tempo tão mortal que quando os guardas vieram me levar para a via crucis, eu me despi da vergonha e nu fui julgado pelo teus olhos de penitência que diziam para beijar o assassino e condenar o santo que era eu, aquele que mais te admirava. Até meus fiéis apóstolos fizeram de você um banquete, deflorando beijos roubados e outros abraços que você nunca foi capaz de me retribuir. 


Deram para mim o mais amargo do féu de tua amizade e disse com a voz mais doce que era para me contentar, pois todo o prazer que existe na sua fonte é para ser dado aos mais afortunados e não ao que anda pulando e que é motivo de chacota ao demais. Sou quasímodo de Notre-Damme, que da cigana só ganha a piedade já que o calor é sempre dado para quem reluz mais.


Admiro das sombras grotescas, o desenrolar poético da trama sombria em que nossos corpos intrépidos se lançam. Claro que haverá ainda muita dança no saloon e que meu catavento ainda vai mostrar todos os segredos escondidos no teu girassol. Ainda muitos se perguntarão quem é que está por cima e quem está por baixo e se é você que me entrega as chaves da prisão de carne que nossos corpos se encontram todo fim de semana, quando enfim damos as mãos e entregamos os nossos mais estranhos desejos um pro outro e fazemos de nossa vida um estranho show, do qual nem mesmo gostamos. 


Criticamos os nossos próprios roteiros e ainda temos tempo para o ciúme que surge da vida que poderíamos ter. Esqueço nesse momento de ti e finalizo o parágrafo pensando que nos afastamos para nos encontrarmos mais a noite em algum lugar, onde torne nossa sexta feira mais prazerosa.







quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Encontros

Conheço você numa noite de sexta em que o céu e a terra nublam a visão dos mais desatentos e claramente deixam minhas emoções despidas para teus olhos cheios de encantos. Foi um momento ou até mais de um e na sua presença me senti ao mesmo tempo pequenino e gigante, sem saber o que fazer com as minhas mãos nervosas.
Confirmo as suspeitas dos abutres que voavam a minha volta, eu realmente desejava sua boca completando a minha, mas não trocaria os minutos sublimes que tivemos juntos por uma troca apaixonante de carícias, prefiro então deixar que tudo surja aos poucos. Claramente eu estava entregue a sua graça inexplicável, sem palavras eu tentava arrancar de ti os seus sorrisos constrangidos, pois és dotada de uma timidez quase transparente que me atrai para perto de você.

Dizem que falamos mais com os olhares que com os lábios e no nosso caso acho que por ter admirado tanto seu olhar, tivemos milhares de conversas que ocultávamos com sorrisos despretensiosos, mas éramos sinceros em cada palavra não dita, como se um leque de possibilidades abri-se no desconhecido. Não era paixão carnal ou apenas uma atração, parecia até mais sutil que minhas palavras conseguem descrever, talvez tenha sido só um encontro do qual eu vou recordar por dias e dias. 

Não consigo poetizar algo que por si foi tão lírico, já que era casual e não tinha nenhuma segunda intenção,apenas restava em mim a esperança de não ter que sentir saudades de você e que nos encontraríamos mais uma vez, numa outra sexta feira em um bar e quem sabe ver o seu sorriso simples se abrindo para mim. Eu estou tolamente envolvido com todo o mistério que carrega em seu passado e que deixa entendido com suas poucas palavras.

Enquanto as noites com você passam eu deixo a trilha sonora por sua conta, já que sua voz envolve indescritivelmente meu ser, deixando aquela vontade de te ouvir soltar tudo que guarda em seu peito, como se ele fosse um cofre que só abre com a senha da música certa.

Por aqui eu termino dizendo que apesar de como as coisas forem ficar eu lhe agradeço plenamente tudo que você me deu nesses dias de insônia e que foi muito bom ter sua companhia que voce não suma. É isso.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Eu não sei dançar

Dizem que meus textos são uma forma de manipular a minha própria visão de tudo que acontece a minha volta e provavelmente seja realmente o que eu faça e por isso seja tão difícil descrever o que penso sobre nós dois ou apenas mesmo sobre você. A incógnita que você causa em meus sonhos me impedem de por de forma lírica os meus reais e até duvidosos sentimentos por você.

Estar com você é como um inverno na praia de botafogo, com uma vista intensa para a nossa solidão juvenil e com todo o calor dos cobertores de palavras amenas ou dos abraços todas as vezes tão sinceros e capazes de fingir em preto e branco as cores de nossos sentimentos mais profundos. Somos perfeitamente o contrário de qualquer casal natural, pois vivemos como se namorássemos a anos e nem mesmo aos beijos nos permitimos ficar quando não claramente duvidosos nos entregamos ao acaso singelo de que em outros lábios se guardam a chave do nosso paraíso.

Mas o que eu quero realmente dizer é que meus pés não sabem seguir você pelo salão e quando me tira pra dançar, eu prefiro ficar sentado admirando seu jeito faceiro de moleca que me encanta tanto. Se eu até soubesse dar dois pra lá e dois pra cá eu me arriscaria, mas prefiro te deixar livre pra se divertir pelo salão. Claro que nem sempre sou tomado pela compreensão e me deixo levar por um ciúme mórbido que tira-me do sério.

Sim, sou ciumento com relação aos beijos que você pode distribuir por ai e nem aos meus lábios irá devolver aqueles que eu desejaria dar a você em um sonho muito louco. Alias acho que é isso que você é para mim, um sonho que me deixa desatento ao mundo em minha volta, preferindo justificar minha falta de vontade pelo fato de que desejo ter você comigo e só recebo de ti essa amizade verdadeira e tão amarga tantas vezes, pois sou eu que seco as lágrimas de amores passados e ouço os suspiros dos amigos e amores futuros. 

Como seria impreciso dizer que não sou apenas um amigo, somos quase alguma coisa com definição apenas para nós mesmos e o que causa inveja nos mais necessitados de sua boca, que me acham ameaça ou até mesmo otário por perder o que eles acham que deveria ser doado pra alguém que fosse dar mais valor para o fato de que admiro os suspiros que você dá quando baila no mar e aquieta as ondas com seu rebolado atraente. 

Para encerrar esse texto sobre a vaidade que tenho de ter você quase todos os dias dizendo que me ama, eu digo aos poucos que te julgam, que deveriam mais conhecer esse arquipélago de desejos desenfreados e provar dessa loucura tão extasiante que se escondem em seus belos olhos indevidamente maquiados. Não acredito no para sempre e nem o eterno, então espero conservar sua companhia amiga por quanto tempo o tempo achar conveniente. Desejo para ti uma rosa e um poema e para mim só o som inquietante da sua presença alarmante no salão de salsa que sempre se estende quando está vibrante bailando na minha frente.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Faz parte do meu show

Engulo seco o ultimo gole de Gim que tinha numa garrafa velha e deixo o momento levar minha mente em direção ao obvio instante em que você de corpo nu se debruçava sobre o meu e com cara de quem estava satisfeita, fazia dengo e me negava por pouco um beijo doce. As noites do teu lado tinham um sabor distinto de  paixão de verão, daquelas que nenhum coração se cura dos vendavais e nenhuma boca silencia os caloroso elogios de satisfação de uma tarde com um belo por do sol.


Claro que o efeito solene do gim passa rápido no meu corpo já calejado de tanto se embriagar com a saudade e com a vodka que deixei guardada pra uma noite de muitas expectativas. O escuro do quarto adormece meus sentidos e me deixo seguir numa musica antiga, onde demonstro um leve apreço de estima por mim mesmo e procuro surpreender-me numa dimensão nova, onde seu nome se pronunciado não vai mais me ofender.


As teclas escuras do meu note me fazem relembrar que eu não toquei nenhuma vez para você nenhuma nota num piano e nem te fiz voar como eu havia lhe prometido, mas acho que toquei em você com meus dedos desbravadores bem mais que tocaria em qualquer teclado ou até mesmo em qualquer outra coxa que não a suam. Sobre voar, claro que te levaria a conhecer nuvens com minhas frases feitas de amante incondicional e ar inigualável de quem sabe o que quer sem mesmo ter que se esforçar pra isso e confesso até que era bem mais simples contar como seria lindo ver o nosso futuro de cima, de onde nenhum mal pode nos fazer mal e as pessoas são tão pequeninas.


O mundo tem uma estranha face quando estamos mais amargos aos seus toques, já que neste momento não sinto-me mais em sintonia com todo amor que um dia recebi e que todo o ser depressivo que me tornei se reinventa nestas frases tão repetitivas sobre um amor que não está mais presente e que só me deixa mais próximo de ter um dia sem sentido. 


Voltei a fumar e beber é um hobbie constante em minha vida solitária nas madrugadas de segunda a sexta, quando não me permito mais me elevar sobre os desconhecidos de tal forma que me igualo aqueles estranhos perdidos que em sua trajetória se lançam ao teatro e a amigos desconhecidos para esquecer as dores de estar se sentindo sozinho. Zombei dos que terminaram assim, desprovidos de sensibilidade ou de amabilidade e acabo por me encontrar numa encruzilhada, onde não quero jamais me desprender de você e ao mesmo tempo não sei mais se sou capaz de te dar todo o carinho e toda a confiança que meus braços davam nas noites felizes.


Não fui nem se quer infiel de modo cruel, mas desejei com medo uma outra mulher, da qual só obtive o justo desprezo que se deve dar aos leprosos e insaciáveis, pois nela só procurei um rascunho de você e nem me perguntei se era isso que mereciam os três, pois pra ti prometi minha sincera fidelidade e a ela desejo um destino melhor que um step. Para mim, como me sinto um condenado, nada mais importa a não ser cumprir a minha divida com o Destino e ele me permita estar mais uma vez contigo e secar as lágrimas que estarão vertendo de teus olhos ao sentir a dúvida de que alguma mulher se aproximou daquilo que é teu e nesse momento eu te mostraria que sou seu e de mais ninguém.


Num livro infantil, que contam as fábulas de um pequeno príncipe de cachos dourados, existe a citação de uma raposa. Ela fala ao jovem que sempre será amiga dele, pois ele havia lhe cativado o coração e não poderia ser mais um ser selvagem e traiçoeiro, pois havia sido domesticado. Acho que entende o que quero dizer, sou um ser que foi cativado e pelas mãos encantadoras que são suas. 


Na duvida de qualquer palavra minha, eu desejo que lembre o significado de "Kiss of Life" e se isso não for o suficiente para lhe secar as lágrimas eu lhe conto agora que sou o mesmo homem de sempre, que lhe dava motivos para ter ciúmes incontroláveis e que lhe trazia chocolates nas horas em que você estava brava ou que se sentia sozinha. Sou aquele que ficava acordado só pra vigiar o seu sono e que as vezes deixava a concha de pedra pra sentir o que dormir de conchinha pode fazer com as noites de sono. Se nada disso, porém, lhe fizer querer aceitar que sou um homem apaixonado, eu lhe peço que lembre dos beijos e da primeira vez em que segurei na sua mão e levei você embora e não te disse adeus ou tchau, mas um até logo tão sincero... Até logo morena!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Te amo

 Cinco dias depois de completar dez meses de ter ouvido um "Te amo!" que deu a esta frase um peso tão significante que ouso olhar com desprezo aos mais afoitos que dizem sobre amor apenas pra saciar a vontade de ter alguém do lado. Amor é uma palavra apenas, porém e mesmo que eu não queira admitir, sei que realmente não há nada de especial na palavra em si, afinal é só um composto de letras, mas seu significado sim tem uma relação maior conosco que se pode imaginar.


Amor é para gramática, as vezes verbo que se conjugado no passado torna uma frase tão triste ou até mesmo bonita, mas sempre com um ar de melancolia e que quando conjugada no presente dá um tom alegre de dia de sol na cidade maravilhosa, criando sorrisos incontroláveis e amansando até o mais bravo dos brigões. Ainda pode ser conjugado no futuro, mas sempre vai soar como uma promessa, uma vontade e até quem sabe uma oração para dias futuros. Amor também pode ser adjetivo que deixa nosso rosto corado e o coração acelerado.


Na biologia o amor não passa de um conjunto de reações químicas que explodem pelo corpo, deixando a mente um pouco mais desatenta e o rosto recheado de sorrisos cativantes que nos levam a fazer  escolhas precipitadas para definir como eterno os minutos que estamos lado a lado. Na psicologia ele se sub-divide em três, para melhor explicar as atitudes controversas que amar pode nos guiar.


Nos dias de frio o amor corta com uma navalha quem está distante e aquece quem está perto, como uma concha para quem quer dormir junto. As musicas tem um tom mais bonito se amor estiver nelas e disso Jobim, Buarque e outros grandes sabiam tão bem. 


A dúvida e a excitação do amor, sendo ele o primeiro ou o centésimo, deixando a boca amargamente seca e as pernas trêmulas como as terras da Turquia. Mesmo para os que conhecem as história, versos e anedotas sobre quem se entrega e se casa, sobre os problemas casuais da infidelidade e dos corações partidos,quem não gosta de num dia sem propósito, numa hora sem marcação, ouvir bem na ponta de sua orelha fria um " te amo" despretensioso e vadio. 


Como diriam muitos poetas, o amor revigora as feridas francas da solidão e para os felizardos, ele pode durar até os cinquenta anos de bodas ou acabar numa sexta feira de manha. Pode ser que ele se estique por quilômetros de um estado a outro. E pode ser que ele dure apenas uma noite e na manha seguinte se dissipe como o primeiro raio de sol. Mas o que importa meu caro leitor é que nesse momento se você vê sentido em todas essas palavras frias, é por que descobriu que amor é uma palavra simples mas o peso envolvido nela faz toda a diferença!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O mundo não é o bastante

A marcha fúnebre se anuncia no horizonte distante. Alguns sábios dizem que isto já estava morto antes mesmo de nascer e que como abortos do destino estávamos fadados ao fracasso fálico de uma paixão inflamável. Kamilla eu te amei não só como Leonardo, mas me reinventei tantas e tantas vezes que do nome eu já me esqueci. A tua voz serena dizendo que era minha e só minha a tua vontade louca de beijar e que eu era seu senhor, soberano do vale devidamente depilado entre tuas virilhas.


Na tua lágrima se esconde um milhão de segredos meus e na tua mão está o traço do meu destino, pois mulher fiz questão de gravar em você todo o teor de amor que me restava e dei a ti os meus melhores dias do futuro e as melhores noite do meu passado. Quis ser mais que teu homem e tu deixaste eu ser teu dono, quis ser teu menino e tu deste teu seio moreno para me amamentar. Mas isso consumiu nossas palavras e nossos sonhos que foram se tragando dentro de uma torrente de mentiras e lascívia.


Eu menti tantas vezes em teu colo, sobre não ter medo que me esqueci de que naquele momento deixava de ser um humano para ser então, o seu herói de brinquedo que tem medo de altura e sabe voar e que não luta com nada, mas está sempre de armadura. Fui teu em todas as definições e como uma droga intravenosa você me possuiu, me deixando a mercê de todos os meus devaneios e agora que estamos longe eu sou apenas mais um viciado.


Admito que você é tudo que eu sempre desejei, em todos os aspectos é desenhada para mim, quase um prenuncio de que encontrei a minha alma gêmea, mas amor te digo em verdade que somos mais nocivos que realmente se espera. Nosso amor nos destrói pois não somos preparados para o mesmo, já que estamos sempre em eterno combate e nossa fome juntos não tem limite. Seu desejo aumenta o meu fogo e faz teu corpo arder em chamas tão quentes que nem mesmo nós resistimos. Ardemos sem limites amor, mas de que vale agora sentir a pele queimada e o fogo que nos cobra um amor que não está mais tão próximo.


Você é a mãe dos meus filhos, a mulher da minha vida e no dia em que puder te dar tua liberdade, eu te juro que estarei disposto a dar não só os meus dias, como te dar a vida do teu filho, mas hoje não podemos mais viver assim. Sou teu pra toda a vida, mas antes que nossa vida nos consuma, vamos ter que esperar o tempo nos dizer quando poderemos estar juntos novamente.


Sentirei saudade todos os dias da tua boa e muitas lágrimas verterão de meu rosto e do teu, a cada vez que ouvirmos alguma musica, sentirmos algum perfume ou lembrarmos de algum momento, mas amor essa saudade será sempre amenizada pela esperança de que algo tão intenso, nem mesmo os deuses ou o tempo pode apagar. Quem decide o fim de um amor, são os amantes que vivenciam-no.


Um dia se você quiser surgirei na tua cidade proibida e te namorarei escondido, dando tantos beijos minha boca for capaz de lhe dar. Se estiver sendo de outro e ainda sim me quiser, serei teu Ricardo. Se estiver só a minha espera, serei teu homem, teu marido, pois nasci pra ser teu Kamilla. O universo é pequeno para nós dois.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Epitáfio


Senhoras e senhores do juri, inicialmente eu queria avisar de antemão que sei o quanto sou culpado de todos os crimes aos quais estou sendo acusado e que irrevogavelmente fui avisado previamente que seria este meu fim, diante de todos os sádicos que se intitulam meus irmãos e seria nada mais que um alvo para um conselho sombrio criticas.


Apesar de ser considerado inofensivo para meus amigos e rotulado pelos mesmos, como se eu fosse apenas mais um dos movimentos invertes de suas expectativas sobre mim e me surpreendo quando nos encontramos diante de dedos indicadores apontados para minha face cor de madeira. Eu sou luxúria vencida diante da majestade simples que exalam as flores de dezesseis, que me atraem direto ao centro de seu desejo turvo.


Amante de segredos obscuros, sou como um mosqueteiro ou um antigo arquipélago no sul da Inglaterra, eu me aprofundava cada vez mais nas lógicas perdidas dentro de pernas desconhecidas e até achar o amor moreno que me fora prometido, caminhei por abismos e ribanceiras.. Fui por mim e por ela mais que deveria ter sido dentro de nosso amor intenso como um furacão. Fui fogo e lodo, há quem diga que até fui louco ou tolo, mas um amante com todas as características libidinosas de um Don Juan


Dependente químico de loucuras arianas, eu me vejo agora como um capacidade de ascender o pavio dos sinceros sonhos e me vender ao mais peculiar desejo primal, ignorando de verdade os primeiros e mais básicos votos de lealdade. Não que eu considere de fato a lealdade em desuso, mas por achar que estou velho demais pra me ater aos conceitos de minha juventude transviada e que simbolizavam pouco antes e menos ou nada agora. 


Aos irmãos e irmãs que ressaltam seu amor por mim, devo-lhes contar que meu desprezo profundo repousa sobre seus atos tão mesquinhos, quando deixam de lado suas inspirações para julgar que minha vida é mais fácil de qualquer um. Estou só e sem perspectiva, as vezes pedindo só uma ajuda e nem mesmo o porto seguro que lhes forneço eu posso recorrer, já que só encontro a mesma intriga da qual estamos sempre acostumados. E as conversas secretas já não compensam mais.


Caminho sem saber por que estou numa terra sem leis, onde meu próprio passo é o que me atrapalha de seguir em frente, me olho e me corto nos gravetos protuberantes do meio do caminho, no qual seriam dificuldades sem limites para atravessar. De medo ou de respeito, visto minha armadura contra o coração, fecham-se as portas que nos deixem vulneráveis e sigo, pois não há mais esperança de viver melhor que o pior que já estamos acostumados sempre. 


Sinto em dizer, caros senhores do juri, que fui eu que fodi, fumei, roubei, enganei, sapateei, cabulei, encabulei e até mesmo desvirginei orifícios anais de jovens que me tomaram o coração de volta. Acorrentado e misticamente abandonado, me sentindo próximo ao ultimo pirata na baia negra do naufrágio.







sábado, 8 de outubro de 2011

Edén



Eu chamo agora os desesperados, os pecadores e os profanos para que em meu banquete de realidade desfrutem um pouco de meu lapso ilusório sobre todas as considerações que fiz de minha vida.


Caminhando por um vale de esperanças sem beijos e incertezas sem caricias, me deparei comigo mesmo preso nos lábios omissos da vã desilusão alcoólica de uma jovem hipócrita e sem coração que estava perdida no desenrolar tão cruel dos jogos dos arcanos, que em seu conselho de trevas e luz, tramavam o futuro de pessoas menos afortunadas. Neste dia pensei que seria cruel ser mais humano e deixar meus impulsos me dominarem, que ser surpreendentemente distante e não provar de fato da fruta proibida do jardim judaico, chamado Éden.


Nesta noite perdida eu me deparei com mortos de fome e mortos de guerra, que desejavam estar ali, provando do pedaço mais amargo do pecado e tendo a satisfação de rir do que lhes era oferecido. Era uma meretriz com um charme de cabaré francês, dada aos toques mais sutis e aos beijos mais sensuais, que me impregnaram alma e carteira com a vontade de ser mais que um cavalheiro e por seu corpo nu em uma posição em que fosse devorada por todos os talheres que conheço. Eu era ali traidor e traído, por meus mais brutos sonhos juvenis.


E na cama solitária um nome gritava em minha mente, era a salvação de meus pecados e aquele toque que faltou em todo a minha noite negra. Era o nome que suspira em minha alma e me torna mais homem que qualquer outro mortal. Por você eu acredito que a tragédia não se deu em mim e pude resistir aos mais profundos e insensatos movimentos que o pecado fazia em sua dança macabra.


Para finalizar tive que no alvorecer do novo dia encarar o fato de que o mundo era ainda vazio, pois nos lugares em que você deveria estar, tinha uma visão quase mista de praga e danação que desejava aquilo que pertencia aquela que se fez minha em milhares de lugares, de lagos a cachoeiras. E neste mundo bizarro que se erguia diante dos olhos de todos, eu era o único a enfrentar a verdade de que ergue-se entre as mentiras mais sinceras, o toque feminino mais letal: A boca insana de uma mulher mal amada!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Depois do meu sonho

Quando você me falou que não eram meus textos cor de paixão que você queria, naquele momento eu pude entender a falta que nossos abraços nos fazem. Eu não estou mais com o sorriso que me fazia um biscoito característico e nem pertenço mais a lista dos dez mais felizes do universo.


Sou um cão vadio, mentiroso e safado que por não saber como sustentar o céu sob nossas cabeças, prefere fingir que está tudo bem, quando eu vejo um vale de lágrimas em seu peito anunciando uma tromba d'água vindo de seus olhos cor de paraíso. Eu sou um covarde que quase perdeu tudo quando soube que você não queria mais viver.


Eu te amo Kamilla e nada mais vai mudar essa constatação, pois é escrito em cada célula do meu ser o nome teu e tenho gravado os momentos em que te fazer sorrir me fazia cair no azul oceano de paixão e lascívia. Era sorte ter te encontrado e tudo ter surgido como foi e não sei ao certo se por obra do destino mas tudo que você me deu me fez mudar meu conceito de viver, pois agora mesmo com as lágrimas impertinentes que vertem de medo dos meus olhos cor de paixão, eu acredito bem mais no amanha do teu lado e luto bem mais para ter lençóis de seda e casa de praia pra servirem de cenário de nosso amor proibido.


Claro que já fui melhor com palavras mas até esse dom você me roubou quando me disse que me amava e me fez ficar em silêncio, pensando que era eu o dono de seu coração e você era dona do que quisesse em mim.


Se não ficarmos juntos num futuro próximo eu aceitarei com pesar que sua vida é melhor sem mim e que tive os melhores momentos de dor e de amor vindo de teu corpo e nada mais importa.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Anunciação

Eu jogo meu corpo contra o teu e deixo que a gravidade nos torne um enquanto observo teus olhos cor de castanha me mostram um mar de segredos e de sonhos lambuzados, nos quais eu prefiro navegar. Sua inocência rubra está espoxta aos meus toques nada sutis, arracando o nectar proibido e me afogando no vale moreno do teus peitos. Eu gozo inúmeras vezes apenas imaginando o gosto bom de tudo isso que poderiamos estar vivendo agora e me aflijo da demora que esse onibus tem de chegar na cidade em que você está vivendo agora.

Separados pelo acaso da vida e deixados de lado por tanto tempo que me questionei todos os dias se existia um Deus sob nossas cabeças ou se eu já teria sido levado ao inferno cristão, onde não existe calor humano despertando meu corpo pela manha e nem mesmo o doce beijo de tuas duas bocas, mas existia a caridade mórbida daqueles que compartilham de alguma dor qualquer. Como um presidiario eu começei a planejar a fuga de um vida sem você.

Caminhada longa em direção ao teu bairro Conceição, anunciando que eu quero o passado de volta no semblante de mulher e que sou um vadio sem alma querendo mais uma vez se esconder dentro de teu corpo e poder jorrar minhas lágrimas esbranquiçadas pela caminhada. Em minha mochila guardo o por do sol e nossas fotografias recortadas de minha memória fraca, junto com a agenda rosa que guarda teus segredos profanos, dos tempos em que eu te fazia de minha melhor tara e você se deitava comigo como se eu realmente fosse um homem de verdade.

 De todas as mentiras que eu poderia te contar pra você viver feliz, fui cruel ao ponto de revelar que sou um bastardo sacana, dono de um apetite que só você saberia como saciar, te prendendo num mundo onde as roupas não eram mais necessárias e tudo que podia ser dito era descrito como num quadro de Picasso. A paixão era nossa comida e nossas linguas nos davam o que de beber, neste intenso jogo de prazeres e repulsa.

Canto nosso amor com essas palavras vorazes sabor caramelo para encantar os mais proximos e espantar aqueles que perdem o sono ao saber que cavalgo num cavalo branco acompanhado de uma mulher pura e vestindo armaduras sagradas. Sou um tolo moderno, como um Quixote sem moinhos de vento, só tendo sogras maquiavélicas e um sogro que mais me lembra um tolo, senhor de grandes chifres. Sei que só minha lingua vil n seria capaz de resgatar minha senhora dos laços negros daqueles que temem tua luz e teu sexo, mas garanto a ti que darei mais de mim para ter de novo em minha cama e em minhas manhas teu rosto de primavera sorrindo pra mim e pedindo de novo pra eu começar a tocar toda a extensão do teu corpo Brasil.
Eu te amo!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O teatro dos vampiros






Parece engraçado, mas essa foto deve ter uns quatro anos e eu pareço não ter sido afetado pelo tempo, pelo menos não tanto quando eu deveria.Continuo não tendo muito dinheiro e sou parcialmente distraido como na foto, o cabelo e as olheiras estam maiores bem como a barba que agora torna-se inconveniente.

Parecia que éramos felizes neste dia, mas honestamente eu não me lembro dele mais, posso dizer alguns eventos ocorridos, mas n lembro mais o que eu sentia quando estava sentado do lado de pessoas que eu deveria respeitar mais. Era um domingo, como todos os domingos deveriam ser, ensolarados e com churrasco e com amigos a volta da mesa. Celebrávamos um ano de uma de poucas coisas em comum que nós tinhamos, talvez fossem nossos sonhos ou nossas perspectivas, também não me recordo e não aceito as explicações mais levianas dos céticos, que me narram esse evento apenas como um encontro de nerds pra rolar dados e celebrar um pedaço de papel. Deveria ser alguma coisa maior que que isso.


O tempo parece injusto quando se falam das coisas que já tivemos e no dia em perdiamos a tarde inteira fingindo ser soldados, nos perdemos sem saber quem era o inimigo ou talvez tenhamos vivido num tempo de ilusão que esquecemos o que era real e verdadeiro, mas seja qual for a resposta do por que chegamos ao fim, digo que o que restou da época em que foi tirada essa fotografia, foram apenas as promessas de uma vida melhor, de que seriamos para sempre ou ao menos por uma década eternamente Seven.


Bem deve ser a maior benção do fim de todas as coisas, mas sempre fica mais claro os erros do começo quando ja estamos no fim da estrada e eu poderia apontar todos os nosso. Falamos demais, confiamos de menos e deixamos nossas sombras serem mais sinceras que o que era feito aos olhos de todos. No fim estávamos tão mortos e tão falsos que nosso sorriso era algo programado assim como os abraços e os tapas nas costas. Tudo era tão perfeitamente mentiroso que deixamos o que tinha pra ser dito ou entendido pra hora em que nada era mais sóbrio, só pra ter a desculpa de entender da forma que se melhor entende. E


Parecemos viver dez anos ou mais em apenas um mês e como conspiradores politicos deixamos de ser sete para nos tornarmos nove e a arte de atuar na mesa virou a habilidade de conviver, fingir e até as disputas eram mais uma medida de atuar, sentindo uma raiva que nem existia, só pra intensificar o que não era realidade. Mas sabiamente o tempo levou tudo embora e para os que acham que ele foi injusto, como eu, devemos perceber que quando tinhamos o presente, preferimos não entender o que era obvio naquela foto: Éramos amigos.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Uma canção de amor para Kamilla




Eu acabei de perceber que não existem textos de amor originais, pois tudo que se pode dizer sobre o amor, se tornou cliché. Desde palavras bonitas sobre o inverno no Leblon até mesmo confissões exageradas, em que me atiro aos seus pés e imploro por migalhas do teu ser, tudo já foi mostrado. Os amantes então se perdem nos inúmeros textos e canções na madrugada tentando espiar seus pecados amorosos e deixar claro para o outro o que se sente.

 Mas este é um texto de depressão, pois como todo amor o meu se encontra longe de mim, fora do alcance de minhas mãos e minha boca e talvez seja isso que o torne sublime ou até mesmo justifique os nossos rompantes no meio da avenida. Quando a solidão ataca, todo o texto de amor quando lido ganha uma verdade cruel e absoluta já que não importa o quanto clichê isso seja, mas amar é sofrer e sofrer nem sempre é tão ruim quanto se imagina.

Numa definição básica e vulgar eu sou um eterno apaixonado por tua presença solene na escuridão do meu quarto e me sinto quase como um prisioneiro no paradoxo nascido no meio do buraco que restou dos segundos em que ficamos juntos no dia antes da discórdia. Era 28 de algum César e seu corpo semi nu em meus braços banhava-me com as lágrimas de quem havia tocado pela primeira vez a liberdade e como se fossemos completos, eu deixei de respirar por mim para sentir como seria viver por você. Ninguém podia prever que se aproximava do fim.

Sem planos ou desengano eu estava a deriva no mar revolto do teu destino, com os perigos e as delicias de teus sonhos tão malucos e gostosos de se ouvir a meia luz, enquanto dávamos aquela pausa estratégica na nossa guerra canibal. De tudo que vivíamos o melhor era viver junto, sem ser sensato.

Sim, por você eu saltava janelas e inventava uma coragem que nem minha era, só para lhe arrancar um sorriso num dia triste, pois era para mim o prêmio de um dia cansativo. A simplicidade do amor não está nas cartas, afinal, e sim nos momentos em que se constrói o imaginário e se come sonhos no lugar de fumaça. Claro que estou falando palavras de um coração partido que bate atrasado por não estar nem no tempo certo e muito menos no lugar certo, já que seu lugar é onde bate o seu.

Neste momento eu celebro a nossa separação forçada negando o fato de que todos os profetas possam estar corretos ao dizer que não nascemos para nós, mas ao imaginar nos olhos dengosos e nos corpos inquietos que se entregam ao momento em que a fenda se abre e o gozo quente se anuncia no sorriso sacana, eu simplesmente digo que se só pode ser feliz se for por um grande amor.
Um conselho final para aqueles que lerem este texto medíocre sobre a mulher da minha vida, se existe a chance de se sentirem assim e se viram algum sentido nas palavras tortas e desesperadas que eu acabei de escrever neste meu notebook, eu sugiro que abram os olhos para o fato de que tem que aproveitar o amor neste exato momento. Não deixem pra depois, pois não vai existir um depois que seja melhor que o agora que se desperdiça.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Minha pátria amada




Existe um mundo que a gente não vê, de gente pobre que assiste uma telenovela para acalmar a sua própria dor. Existe um mundo além do nosso, que de tão perverso, ele se torna cotidiano na vida de todos que tem de enfrentar sua dura realidade. Para os que vivem num lugar além do nosso, não lhes é reservado o dom do gozo ou o prazer de um fim de tarde, mas o gosto amargo da cerveja de baixa renda, as batidas incultas do baile e o gelo do descaso.

Esses abortos do Estado estam cada vez mais proximos dos nossos olhos, rodeando nossas vidas e nossas paisagens, mas os tratamos como acidentes invisiveis do nosso cotidiano enquanto entre os beijos calorosos nos despedimos mais uma vez. O som das sirenes e o aviso negligente de um acidente se anuncia num bonde desgovernado e para nós é só carnaval e carícias, pois somos imortais, quase feitos de aço inox que não vai enferrujar.

Mais uma luz se apaga no horizonte nebuloso dessa madrugada e eu começo a criar em sonhos de papelão um castelo de areia e fazer dele nosso abrigo, sem nos preocupar com os atentados na Dinamarca ou os mortos de fome em Calcutá, já que estamos desprotegidos com nossos remédios para depressão e a anarquia de um condominio cercado.

Enquanto os homens desprovidos de cultura e carater querem nosso carro e nossas jóias eu quero te roubar cada parcela do teu gozo mais gostoso, amamentar meu futuro nos bicos rosados de seus peitos fartos e naufragar na gruta inundada que existe após o vale de rala relva negra onde repousa um escorpião vermelho, louco para envenenar minha serpente rígida.

A procura de abrigo nos deixamos levar pela influencia de vaca profana com leites estragados e filosofia de bordel, ficando a deriva nesse lar de revolução conformista enquanto nos lares a nossa volta o problema está na fome que faz uma criança calejar a mão como engraxate na Rua Uruguai.

De fome se morre e se mata, num mundo distante do nosso e por isso que com tanto espanto e admiração vivemos a observar as fábulas que contam nos jornais sensacionalistas, que nos enchem a cabeça de monstros que não encostam no nosso mundo, já que somos protegidos pelas leis, que funcionam para todos os afortunados que não dependem do tal salário minimo, que tanto falam os que não moram na nossa pátria.

E como já dizia Caetano em sua mais famosa alienação: O haiti não é aqui! Ele fica a milhas e milhas de distancia de minha casa que se protege cada vez mais dentro da bolha de suor, paixão e futilidades múltiplas, que estou acostumado a viver...




sábado, 27 de agosto de 2011

Rei da Solidão




Não venho diante desse monumento para celebrar minha dor ou cantar minha tragédia, pois sei bem que você já deve ter ouvido de minha desgraça por ai, pois vários poetas já cantaram a mesma e alguns dizem que fui traduzido em várias linguas, até nas mais antigas, sou venerado como aquele que vive sentado num trono negro adornado de saudade e com as fotos do que se passou em nossa vida.

Se nem mesmo Tim maia sabe por que você se foi, eu que não poderia compreender exatamente como você pode partir da minha vida para outro lar, com tantos planos ainda em aberto, apenas aguardando o retorno de sua primavera sorridente para poder florescer as rosas rubras de vergonha do amor que nós escancaramos aos quatro ventos.
Os dias de domingo que Gal uma vez me disse parecer ser gostoso vem com um tom amargo de derrota e ouvir a voz das suas lágrimas no vento me fazem sentir o peso da coroa que está presa em minha cabeça, fazendo-me quase ajoelhar diante da incompetencia de não poder trazer sua boca para acalentar a minha enquanto minha mão se aproveita de sua pele macia.

Vislumbro meu reino cheio de súditos e bobos da corte, tentando tirar sarro de mim enquanto deixo me despirem e analisarem as feridas abertas em meu peito, lar de nossos sonhos despedados e guardião das lágrimas que verteram de minha face quando vi você ir embora pela ultima vez.

Sem mais palavras para definir a dor que agora é minha conselheira, digo só que este é o memorial daquele que é o rei das camas vazias e senhor de todas as lágrimas perdidas no travesseiro. Um aturdido menestrel apaixonado por um momento no tempo, um verdadeiro rei da solidão.

sábado, 13 de agosto de 2011

Por que o mundo precisa do Superman?

Imaginem um mundo sem esperanças de melhora; onde estariamos solitários e sem alguém para olhar para nós; alguem que pudéssemos ajoelhar e pedir ajuda nos momentos de aflição? Imaginem um mundo sem alguém para dar o exemplo; que mostre o lado certo apesar de poder ignorar isso tudo e seguir imperando sobre os mais fracos? Este é justamente o mundo sem o Superman.
A Dc Comics já criou várias revistas que tentaram ilustrar um mundo sem o seu maior Ícone, um mundo onde ele se corrompia, mas esses mundos eram sempre ignorados ou descartados, pois ninguem consegue aceitar a corrupção dele ou conviver com o fato de que suas esperanças foram entregues ao Déspota alienígena que nos escraviza. A verdade é que não concebemos de verdade a corrupção dos ideais que nós admiramos, mesmo que sejamos corruptos.

Ontem eu estava pensando muito sobre a analogia do Superman, pois apesar de ser um jovem que cresceu cercado de HQs e Gibis, eu odiava o esse Kriptoniano com todo o fervor de minha alma.Sempre achei que alguém com tanta responsabilidade e alma humana não resistiriam por muito tempo sem se corromper e entregar nas mãos Dele o nosso futuro era um erro. Por isso eu sempre preferi um cara que veste preto e inspira o medo, mas sobre ele eu falo depois. O fato é que o Superman sempre me inspirou insegurança, pois eu não possuia fé nele.

Eu cresci, me tornei o que a sociedade chama de "adulto" e me vi num mundo sem esperança, com pessoas perdidas sem saber o que fazer e eu era uma dessas pessoas.Mas num dia sem chance de dar certo eu acabei conhecendo alguém que estava tão perdida quando eu. Talvez tenha sido amor a primeira vista ou a segunda, mas o fato é que eu ao lado dela me tornei um alienigena, um ser invulnerável, com peito de aço e olhos laser, que era capaz de protege-la de todos os males e principalmente, eu poderia voar. De uma hora pra outra eu me tornei, pra alguem tão perfeito o seu super-herói, com calça jeans e moleton. Um Don Juan as avessas, que saltava de janela quando o perigo se aproximava, mas aguentava as consequencias dos atos insensatos dessa mulher tão menina.

Eu me tornei um exemplo de tudo que eu não sabia inspirar, pois como eu disse antes, não acredito no Superman, mas acreditava em que proteger aquela menina era o que eu deveria fazer. Mas eu fracassei. Ela acabou indo morar distante de mim, retirada dos meus braços impotentes e se foi. Foi quando eu me senti um fracasso diante do mundo, pois não fiz a unica coisa que me auto-designei: Proteger.

O Superhomem não existe como nos quadrinhos, pois ele é uma inspiração, algo para ser olhado com admiração e fazer com que se impulsione o lado bom de todas as coisas. Mesmo tendo o peito de aço e olhos fulminantes, ele ainda é só um homem, que tem fraquezas, mesmo que raras e tenta a todo o custo suportar nas costas o peso de um mundo que o critica. O herói da revistinha é uma grande analogia ao pai de familia, ao marido fiel e a todos que se dedicam imensamente ao dever sem mesmo dar espaço para os sentimentos de vaidade.

O superman existe para lembrar que somos capazes de voar, proteger, pois somos homens e apesar de toda a kriptonita ou magia existente, vamos superar os desafios, pois existem pessoas que precisam de nós e esse é o gás que nos faz continuar todas as noites e dias com a garra de vencer.É o mais importante de todos os heróis, pois ele é o exemplo a ser seguido.

A triste moral dessa história é que até mesmo o Superman precisa de um Superman, pois ele é um exemplo a exemplo de alguem que veio antes, mas filosofar sobre isso me custaria muito tempo e o que eu queria dizer já foi realmente dito. Todas são as razões por que o mundo precisa de um superman, é por que precisamos de alguém para inspirar aquilo que vamos inspirar, numa grande corrente para o mundo ou além...