terça-feira, 22 de novembro de 2011

Freak Show

Um monstro adormece dentro de meu peito enquanto vejo por ai teu sorriso de prostituta se esvaindo nas mãos de outros cafetões doidos para vender você.  Eu era um apaixonado por tudo que você significava e dei valor extremo ao teu gosto e ao teu gozo, mas para variar no dia seguinte você me devolveu o gosto pálido da sua amizade frígida. Me alimentando das sobras da tua carência, você me transformou num tipo de parasita insolente que consome na alma a falta dos carinhos teus.


De todos os cegos que existem em nosso castelo, você é o pior deles, pois não consegue nem ouvir a voz murmurante que está falando sobre os nossos momentos tão perfeitamente engendrados por algum agente do destino que sem ter nada melhor pra fazer me fez conhecer essa sua timidez tão desnecessária e que com cada gesto infantil ou risada fazia meu dia não ser mais como deveria ser.


Ser forte nem sempre significa saber voar todos os dias e nem é necessário para sorrir, ficar girando a todo momento. Todo ser deveria saber o momento de parar de correr e seria tão bom poder te mostrar que tudo o que eu mais quero é cuidar dos teus sonhos e deitar seu corpo no chão da sua sala e fazer dele parte de mim e mesmo sob os olhares de todos os abutres lhe inundaria a casa, tamanho o orgasmo que nós teríamos.  Sou a volúpia ardente dos dias de sol, que invade  a sua casa quieta e aos poucos toma sua mente vazia e lhe faz sair para dançar na chuva.


Num mundo morcegos e raposas já dividiram camas e lençóis comigo, eu já estive dentro de muitas das grutas que você um dia há de sonhar provar e fiz de mim um exímio par para o pecado das línguas que não se cansam de tornear o nosso sexo. Eu não me importo em dizer que profanei até o ultimo sentido a santidade de namorar e como um anticristo eu profetizei um novo evangelho, onde tudo é permitido e o maior templo do homem é o corpo pagão do par.


Em resumo, eu fui divino e ao mesmo tempo tão mortal que quando os guardas vieram me levar para a via crucis, eu me despi da vergonha e nu fui julgado pelo teus olhos de penitência que diziam para beijar o assassino e condenar o santo que era eu, aquele que mais te admirava. Até meus fiéis apóstolos fizeram de você um banquete, deflorando beijos roubados e outros abraços que você nunca foi capaz de me retribuir. 


Deram para mim o mais amargo do féu de tua amizade e disse com a voz mais doce que era para me contentar, pois todo o prazer que existe na sua fonte é para ser dado aos mais afortunados e não ao que anda pulando e que é motivo de chacota ao demais. Sou quasímodo de Notre-Damme, que da cigana só ganha a piedade já que o calor é sempre dado para quem reluz mais.


Admiro das sombras grotescas, o desenrolar poético da trama sombria em que nossos corpos intrépidos se lançam. Claro que haverá ainda muita dança no saloon e que meu catavento ainda vai mostrar todos os segredos escondidos no teu girassol. Ainda muitos se perguntarão quem é que está por cima e quem está por baixo e se é você que me entrega as chaves da prisão de carne que nossos corpos se encontram todo fim de semana, quando enfim damos as mãos e entregamos os nossos mais estranhos desejos um pro outro e fazemos de nossa vida um estranho show, do qual nem mesmo gostamos. 


Criticamos os nossos próprios roteiros e ainda temos tempo para o ciúme que surge da vida que poderíamos ter. Esqueço nesse momento de ti e finalizo o parágrafo pensando que nos afastamos para nos encontrarmos mais a noite em algum lugar, onde torne nossa sexta feira mais prazerosa.







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