segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Uma canção de amor para Kamilla




Eu acabei de perceber que não existem textos de amor originais, pois tudo que se pode dizer sobre o amor, se tornou cliché. Desde palavras bonitas sobre o inverno no Leblon até mesmo confissões exageradas, em que me atiro aos seus pés e imploro por migalhas do teu ser, tudo já foi mostrado. Os amantes então se perdem nos inúmeros textos e canções na madrugada tentando espiar seus pecados amorosos e deixar claro para o outro o que se sente.

 Mas este é um texto de depressão, pois como todo amor o meu se encontra longe de mim, fora do alcance de minhas mãos e minha boca e talvez seja isso que o torne sublime ou até mesmo justifique os nossos rompantes no meio da avenida. Quando a solidão ataca, todo o texto de amor quando lido ganha uma verdade cruel e absoluta já que não importa o quanto clichê isso seja, mas amar é sofrer e sofrer nem sempre é tão ruim quanto se imagina.

Numa definição básica e vulgar eu sou um eterno apaixonado por tua presença solene na escuridão do meu quarto e me sinto quase como um prisioneiro no paradoxo nascido no meio do buraco que restou dos segundos em que ficamos juntos no dia antes da discórdia. Era 28 de algum César e seu corpo semi nu em meus braços banhava-me com as lágrimas de quem havia tocado pela primeira vez a liberdade e como se fossemos completos, eu deixei de respirar por mim para sentir como seria viver por você. Ninguém podia prever que se aproximava do fim.

Sem planos ou desengano eu estava a deriva no mar revolto do teu destino, com os perigos e as delicias de teus sonhos tão malucos e gostosos de se ouvir a meia luz, enquanto dávamos aquela pausa estratégica na nossa guerra canibal. De tudo que vivíamos o melhor era viver junto, sem ser sensato.

Sim, por você eu saltava janelas e inventava uma coragem que nem minha era, só para lhe arrancar um sorriso num dia triste, pois era para mim o prêmio de um dia cansativo. A simplicidade do amor não está nas cartas, afinal, e sim nos momentos em que se constrói o imaginário e se come sonhos no lugar de fumaça. Claro que estou falando palavras de um coração partido que bate atrasado por não estar nem no tempo certo e muito menos no lugar certo, já que seu lugar é onde bate o seu.

Neste momento eu celebro a nossa separação forçada negando o fato de que todos os profetas possam estar corretos ao dizer que não nascemos para nós, mas ao imaginar nos olhos dengosos e nos corpos inquietos que se entregam ao momento em que a fenda se abre e o gozo quente se anuncia no sorriso sacana, eu simplesmente digo que se só pode ser feliz se for por um grande amor.
Um conselho final para aqueles que lerem este texto medíocre sobre a mulher da minha vida, se existe a chance de se sentirem assim e se viram algum sentido nas palavras tortas e desesperadas que eu acabei de escrever neste meu notebook, eu sugiro que abram os olhos para o fato de que tem que aproveitar o amor neste exato momento. Não deixem pra depois, pois não vai existir um depois que seja melhor que o agora que se desperdiça.

Um comentário:

  1. RELAXA, vai da tudo certo
    Tô sempre aqui pra o que tu precisar


    IRMÃO!

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