Não venho diante desse monumento para celebrar minha dor ou cantar minha tragédia, pois sei bem que você já deve ter ouvido de minha desgraça por ai, pois vários poetas já cantaram a mesma e alguns dizem que fui traduzido em várias linguas, até nas mais antigas, sou venerado como aquele que vive sentado num trono negro adornado de saudade e com as fotos do que se passou em nossa vida.
Se nem mesmo Tim maia sabe por que você se foi, eu que não poderia compreender exatamente como você pode partir da minha vida para outro lar, com tantos planos ainda em aberto, apenas aguardando o retorno de sua primavera sorridente para poder florescer as rosas rubras de vergonha do amor que nós escancaramos aos quatro ventos.
Os dias de domingo que Gal uma vez me disse parecer ser gostoso vem com um tom amargo de derrota e ouvir a voz das suas lágrimas no vento me fazem sentir o peso da coroa que está presa em minha cabeça, fazendo-me quase ajoelhar diante da incompetencia de não poder trazer sua boca para acalentar a minha enquanto minha mão se aproveita de sua pele macia.
Vislumbro meu reino cheio de súditos e bobos da corte, tentando tirar sarro de mim enquanto deixo me despirem e analisarem as feridas abertas em meu peito, lar de nossos sonhos despedados e guardião das lágrimas que verteram de minha face quando vi você ir embora pela ultima vez.
Sem mais palavras para definir a dor que agora é minha conselheira, digo só que este é o memorial daquele que é o rei das camas vazias e senhor de todas as lágrimas perdidas no travesseiro. Um aturdido menestrel apaixonado por um momento no tempo, um verdadeiro rei da solidão.

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