Senhoras e senhores do juri, inicialmente eu queria avisar de antemão que sei o quanto sou culpado de todos os crimes aos quais estou sendo acusado e que irrevogavelmente fui avisado previamente que seria este meu fim, diante de todos os sádicos que se intitulam meus irmãos e seria nada mais que um alvo para um conselho sombrio criticas.
Apesar de ser considerado inofensivo para meus amigos e rotulado pelos mesmos, como se eu fosse apenas mais um dos movimentos invertes de suas expectativas sobre mim e me surpreendo quando nos encontramos diante de dedos indicadores apontados para minha face cor de madeira. Eu sou luxúria vencida diante da majestade simples que exalam as flores de dezesseis, que me atraem direto ao centro de seu desejo turvo.
Amante de segredos obscuros, sou como um mosqueteiro ou um antigo arquipélago no sul da Inglaterra, eu me aprofundava cada vez mais nas lógicas perdidas dentro de pernas desconhecidas e até achar o amor moreno que me fora prometido, caminhei por abismos e ribanceiras.. Fui por mim e por ela mais que deveria ter sido dentro de nosso amor intenso como um furacão. Fui fogo e lodo, há quem diga que até fui louco ou tolo, mas um amante com todas as características libidinosas de um Don Juan.
Dependente químico de loucuras arianas, eu me vejo agora como um capacidade de ascender o pavio dos sinceros sonhos e me vender ao mais peculiar desejo primal, ignorando de verdade os primeiros e mais básicos votos de lealdade. Não que eu considere de fato a lealdade em desuso, mas por achar que estou velho demais pra me ater aos conceitos de minha juventude transviada e que simbolizavam pouco antes e menos ou nada agora.
Aos irmãos e irmãs que ressaltam seu amor por mim, devo-lhes contar que meu desprezo profundo repousa sobre seus atos tão mesquinhos, quando deixam de lado suas inspirações para julgar que minha vida é mais fácil de qualquer um. Estou só e sem perspectiva, as vezes pedindo só uma ajuda e nem mesmo o porto seguro que lhes forneço eu posso recorrer, já que só encontro a mesma intriga da qual estamos sempre acostumados. E as conversas secretas já não compensam mais.
Caminho sem saber por que estou numa terra sem leis, onde meu próprio passo é o que me atrapalha de seguir em frente, me olho e me corto nos gravetos protuberantes do meio do caminho, no qual seriam dificuldades sem limites para atravessar. De medo ou de respeito, visto minha armadura contra o coração, fecham-se as portas que nos deixem vulneráveis e sigo, pois não há mais esperança de viver melhor que o pior que já estamos acostumados sempre.
Sinto em dizer, caros senhores do juri, que fui eu que fodi, fumei, roubei, enganei, sapateei, cabulei, encabulei e até mesmo desvirginei orifícios anais de jovens que me tomaram o coração de volta. Acorrentado e misticamente abandonado, me sentindo próximo ao ultimo pirata na baia negra do naufrágio.

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