sábado, 8 de outubro de 2011

Edén



Eu chamo agora os desesperados, os pecadores e os profanos para que em meu banquete de realidade desfrutem um pouco de meu lapso ilusório sobre todas as considerações que fiz de minha vida.


Caminhando por um vale de esperanças sem beijos e incertezas sem caricias, me deparei comigo mesmo preso nos lábios omissos da vã desilusão alcoólica de uma jovem hipócrita e sem coração que estava perdida no desenrolar tão cruel dos jogos dos arcanos, que em seu conselho de trevas e luz, tramavam o futuro de pessoas menos afortunadas. Neste dia pensei que seria cruel ser mais humano e deixar meus impulsos me dominarem, que ser surpreendentemente distante e não provar de fato da fruta proibida do jardim judaico, chamado Éden.


Nesta noite perdida eu me deparei com mortos de fome e mortos de guerra, que desejavam estar ali, provando do pedaço mais amargo do pecado e tendo a satisfação de rir do que lhes era oferecido. Era uma meretriz com um charme de cabaré francês, dada aos toques mais sutis e aos beijos mais sensuais, que me impregnaram alma e carteira com a vontade de ser mais que um cavalheiro e por seu corpo nu em uma posição em que fosse devorada por todos os talheres que conheço. Eu era ali traidor e traído, por meus mais brutos sonhos juvenis.


E na cama solitária um nome gritava em minha mente, era a salvação de meus pecados e aquele toque que faltou em todo a minha noite negra. Era o nome que suspira em minha alma e me torna mais homem que qualquer outro mortal. Por você eu acredito que a tragédia não se deu em mim e pude resistir aos mais profundos e insensatos movimentos que o pecado fazia em sua dança macabra.


Para finalizar tive que no alvorecer do novo dia encarar o fato de que o mundo era ainda vazio, pois nos lugares em que você deveria estar, tinha uma visão quase mista de praga e danação que desejava aquilo que pertencia aquela que se fez minha em milhares de lugares, de lagos a cachoeiras. E neste mundo bizarro que se erguia diante dos olhos de todos, eu era o único a enfrentar a verdade de que ergue-se entre as mentiras mais sinceras, o toque feminino mais letal: A boca insana de uma mulher mal amada!

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