sábado, 26 de novembro de 2011

Quase sem querer




 Estamos vivendo a primeira semana do improvável, já que nossos corações se encontravam escangalhados depois de tanto bater cabeça nos braços de quem talvez não tenha aproveitado bem a nossa companhia. Eu andava até que distraído na minha vida e você surgiu meio que por acidente e como sem um plano acabamos nos encontrando e reencontrando tantas vezes que me tornei um fã de sua arte de atuar e a capacidade impar de apaixonar com os olhos de vontade.


 A verdade é que procuro um motivo pra estarmos juntos e nem sempre o acho, pois pra mim esse nosso namoro nasceu como nascem as canções, sem hora ou aviso prévio e se eterniza sempre quando está entre meus braços e me beija com a boca de paixão, dizendo que não quer me perder e revela um pouco do medo oculto de estar mais uma vez entregue a alguém que não mereça tudo que você tem para dar.


 Para ser sincero eu as vezes também me pego apavorado com o fato de que você é uma mulher incrivelmente fantástica, com lábios, vontades e sonhos tão encantadores que nem sempre sei como posso te dar o que precisa pra torna-los palpáveis ou ao menos ajudar que se concretizem. Não revelo meus medos, para não desencorajar você, mas os olhos mais atentos dizem sinceramente que nem sempre sei o que fazer contigo do meu lado, pois você como eu já disse e não me canso de repetir, é um mulherão dona de um corpo da cor do pecado que me faz desejar amarrar todas as minhas angústias em outro lugar, só pra dar a você mais daquela segurança que eu crio quando sussurro no teu ouvido Eu te adoro e faço do teu corpo um abrigo pra minhas maiores loucuras.


 Resumindo mulher, desejo você de tantas formas que agradeço aos deuses por terem quase sem querer colocado você naquele posto numa sexta feira que não tinha nada além de uma malicia sutil, mas tornou-se esse nosso romance. Aproveito aqui  também pra pedir mil desculpas se usei palavras repetidas, mas quais são as palavras que nunca são ditas, não é mesmo?



terça-feira, 22 de novembro de 2011

Sobre as manhas de domingo

Depois de acordar do teu lado reparei que as manhas tem um sabor engraçado quando elas começam com um beijo seu. Não digo que me viciei nos teus delirantes suspiros e nem mesmo que não viverei mais um dia sem eles, pois seria exagero tremendo, apenas digo que te ter como par em qualquer noite me deixa extasiado, quase que com aquele sorriso bobo que é comum num homem quando está diante de uma mulher fabulosa.


É claro o meu nervosismo juvenil quando tomo você em meus braços e conduzo um beijo para teus lábios, pois nem sei sempre qual é a medida do beijo que lhe cai bem e como numa dança as vezes me pego lembrando dos princípios básicos, me guiando inseguro, sentindo o sabor de tua lingua que me apaga a sede e aumenta o fogo do meu corpo, que se alinha nos teus contornos, pedindo mais um pouco dos teus olhos e tentando tirar de você mais sorrisos ou suspiros que revelem sua satisfação em estar comigo.


Nem sempre deixo os meus pensamentos a sua disposição, pois como todo bom homem sei que a alma do negócio é deixar um pouco escondido para aquelas conversas a dois, que surgem numa varanda, entre um trago e outro, quando deixamos o vento bater e a tarde cair, antes de nos despedirmos e começarmos uma nova semana, na esperança de que na sexta nos encontraremos de novo.


Não sei se rola saudade ai da onde você está sentada ou se é apenas alguma coisa passageira e honestamente não pretendo mesmo ficar pensando nisso, pois acredito que somos mais gostosos sem essas pequenas dúvidas que não nos cabem mesmo. Prefiro deixar o momento revelar o fato de que pra mim são nossos beijos que deixam boa parte do meu dia alegre e que são seus olhos que me agradam admirar enquanto o sol se despede num fim de tarde de domingo.


A mais pura lógica se despede quando me deixo levar pelo jogo sutil que os deuses revelam para mim, quando me surpreendo com seu jeito as vezes parecido com o de mãe, me olhando e pedindo pra que eu me comporte ou obedeça alguma regra não tão necessária, mas realmente importante. Acho graça desse seu ar tão cuidadoso comigo e me pego tendo o mesmo comportamento preocupado contigo, quando deixa escapar que não está muito bem.


Como da primeira vez, não defino ainda em palavras o que somos, pois acredito que ser definido nesse momento ou em qualquer outro, algo banal que vale só pra quem quer viver para ostentar e não para experimentar o que lhe é oferecido. Prefiro então dizer que me delicio cada vez mais com você em minhas manhãs, tardes e noites e continuo dizendo que deixo a cargo do acaso os próximos encontros ou desencontros

Freak Show

Um monstro adormece dentro de meu peito enquanto vejo por ai teu sorriso de prostituta se esvaindo nas mãos de outros cafetões doidos para vender você.  Eu era um apaixonado por tudo que você significava e dei valor extremo ao teu gosto e ao teu gozo, mas para variar no dia seguinte você me devolveu o gosto pálido da sua amizade frígida. Me alimentando das sobras da tua carência, você me transformou num tipo de parasita insolente que consome na alma a falta dos carinhos teus.


De todos os cegos que existem em nosso castelo, você é o pior deles, pois não consegue nem ouvir a voz murmurante que está falando sobre os nossos momentos tão perfeitamente engendrados por algum agente do destino que sem ter nada melhor pra fazer me fez conhecer essa sua timidez tão desnecessária e que com cada gesto infantil ou risada fazia meu dia não ser mais como deveria ser.


Ser forte nem sempre significa saber voar todos os dias e nem é necessário para sorrir, ficar girando a todo momento. Todo ser deveria saber o momento de parar de correr e seria tão bom poder te mostrar que tudo o que eu mais quero é cuidar dos teus sonhos e deitar seu corpo no chão da sua sala e fazer dele parte de mim e mesmo sob os olhares de todos os abutres lhe inundaria a casa, tamanho o orgasmo que nós teríamos.  Sou a volúpia ardente dos dias de sol, que invade  a sua casa quieta e aos poucos toma sua mente vazia e lhe faz sair para dançar na chuva.


Num mundo morcegos e raposas já dividiram camas e lençóis comigo, eu já estive dentro de muitas das grutas que você um dia há de sonhar provar e fiz de mim um exímio par para o pecado das línguas que não se cansam de tornear o nosso sexo. Eu não me importo em dizer que profanei até o ultimo sentido a santidade de namorar e como um anticristo eu profetizei um novo evangelho, onde tudo é permitido e o maior templo do homem é o corpo pagão do par.


Em resumo, eu fui divino e ao mesmo tempo tão mortal que quando os guardas vieram me levar para a via crucis, eu me despi da vergonha e nu fui julgado pelo teus olhos de penitência que diziam para beijar o assassino e condenar o santo que era eu, aquele que mais te admirava. Até meus fiéis apóstolos fizeram de você um banquete, deflorando beijos roubados e outros abraços que você nunca foi capaz de me retribuir. 


Deram para mim o mais amargo do féu de tua amizade e disse com a voz mais doce que era para me contentar, pois todo o prazer que existe na sua fonte é para ser dado aos mais afortunados e não ao que anda pulando e que é motivo de chacota ao demais. Sou quasímodo de Notre-Damme, que da cigana só ganha a piedade já que o calor é sempre dado para quem reluz mais.


Admiro das sombras grotescas, o desenrolar poético da trama sombria em que nossos corpos intrépidos se lançam. Claro que haverá ainda muita dança no saloon e que meu catavento ainda vai mostrar todos os segredos escondidos no teu girassol. Ainda muitos se perguntarão quem é que está por cima e quem está por baixo e se é você que me entrega as chaves da prisão de carne que nossos corpos se encontram todo fim de semana, quando enfim damos as mãos e entregamos os nossos mais estranhos desejos um pro outro e fazemos de nossa vida um estranho show, do qual nem mesmo gostamos. 


Criticamos os nossos próprios roteiros e ainda temos tempo para o ciúme que surge da vida que poderíamos ter. Esqueço nesse momento de ti e finalizo o parágrafo pensando que nos afastamos para nos encontrarmos mais a noite em algum lugar, onde torne nossa sexta feira mais prazerosa.







quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Encontros

Conheço você numa noite de sexta em que o céu e a terra nublam a visão dos mais desatentos e claramente deixam minhas emoções despidas para teus olhos cheios de encantos. Foi um momento ou até mais de um e na sua presença me senti ao mesmo tempo pequenino e gigante, sem saber o que fazer com as minhas mãos nervosas.
Confirmo as suspeitas dos abutres que voavam a minha volta, eu realmente desejava sua boca completando a minha, mas não trocaria os minutos sublimes que tivemos juntos por uma troca apaixonante de carícias, prefiro então deixar que tudo surja aos poucos. Claramente eu estava entregue a sua graça inexplicável, sem palavras eu tentava arrancar de ti os seus sorrisos constrangidos, pois és dotada de uma timidez quase transparente que me atrai para perto de você.

Dizem que falamos mais com os olhares que com os lábios e no nosso caso acho que por ter admirado tanto seu olhar, tivemos milhares de conversas que ocultávamos com sorrisos despretensiosos, mas éramos sinceros em cada palavra não dita, como se um leque de possibilidades abri-se no desconhecido. Não era paixão carnal ou apenas uma atração, parecia até mais sutil que minhas palavras conseguem descrever, talvez tenha sido só um encontro do qual eu vou recordar por dias e dias. 

Não consigo poetizar algo que por si foi tão lírico, já que era casual e não tinha nenhuma segunda intenção,apenas restava em mim a esperança de não ter que sentir saudades de você e que nos encontraríamos mais uma vez, numa outra sexta feira em um bar e quem sabe ver o seu sorriso simples se abrindo para mim. Eu estou tolamente envolvido com todo o mistério que carrega em seu passado e que deixa entendido com suas poucas palavras.

Enquanto as noites com você passam eu deixo a trilha sonora por sua conta, já que sua voz envolve indescritivelmente meu ser, deixando aquela vontade de te ouvir soltar tudo que guarda em seu peito, como se ele fosse um cofre que só abre com a senha da música certa.

Por aqui eu termino dizendo que apesar de como as coisas forem ficar eu lhe agradeço plenamente tudo que você me deu nesses dias de insônia e que foi muito bom ter sua companhia que voce não suma. É isso.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Eu não sei dançar

Dizem que meus textos são uma forma de manipular a minha própria visão de tudo que acontece a minha volta e provavelmente seja realmente o que eu faça e por isso seja tão difícil descrever o que penso sobre nós dois ou apenas mesmo sobre você. A incógnita que você causa em meus sonhos me impedem de por de forma lírica os meus reais e até duvidosos sentimentos por você.

Estar com você é como um inverno na praia de botafogo, com uma vista intensa para a nossa solidão juvenil e com todo o calor dos cobertores de palavras amenas ou dos abraços todas as vezes tão sinceros e capazes de fingir em preto e branco as cores de nossos sentimentos mais profundos. Somos perfeitamente o contrário de qualquer casal natural, pois vivemos como se namorássemos a anos e nem mesmo aos beijos nos permitimos ficar quando não claramente duvidosos nos entregamos ao acaso singelo de que em outros lábios se guardam a chave do nosso paraíso.

Mas o que eu quero realmente dizer é que meus pés não sabem seguir você pelo salão e quando me tira pra dançar, eu prefiro ficar sentado admirando seu jeito faceiro de moleca que me encanta tanto. Se eu até soubesse dar dois pra lá e dois pra cá eu me arriscaria, mas prefiro te deixar livre pra se divertir pelo salão. Claro que nem sempre sou tomado pela compreensão e me deixo levar por um ciúme mórbido que tira-me do sério.

Sim, sou ciumento com relação aos beijos que você pode distribuir por ai e nem aos meus lábios irá devolver aqueles que eu desejaria dar a você em um sonho muito louco. Alias acho que é isso que você é para mim, um sonho que me deixa desatento ao mundo em minha volta, preferindo justificar minha falta de vontade pelo fato de que desejo ter você comigo e só recebo de ti essa amizade verdadeira e tão amarga tantas vezes, pois sou eu que seco as lágrimas de amores passados e ouço os suspiros dos amigos e amores futuros. 

Como seria impreciso dizer que não sou apenas um amigo, somos quase alguma coisa com definição apenas para nós mesmos e o que causa inveja nos mais necessitados de sua boca, que me acham ameaça ou até mesmo otário por perder o que eles acham que deveria ser doado pra alguém que fosse dar mais valor para o fato de que admiro os suspiros que você dá quando baila no mar e aquieta as ondas com seu rebolado atraente. 

Para encerrar esse texto sobre a vaidade que tenho de ter você quase todos os dias dizendo que me ama, eu digo aos poucos que te julgam, que deveriam mais conhecer esse arquipélago de desejos desenfreados e provar dessa loucura tão extasiante que se escondem em seus belos olhos indevidamente maquiados. Não acredito no para sempre e nem o eterno, então espero conservar sua companhia amiga por quanto tempo o tempo achar conveniente. Desejo para ti uma rosa e um poema e para mim só o som inquietante da sua presença alarmante no salão de salsa que sempre se estende quando está vibrante bailando na minha frente.