Eu jogo meu corpo contra o teu e deixo que a gravidade nos torne um enquanto observo teus olhos cor de castanha me mostram um mar de segredos e de sonhos lambuzados, nos quais eu prefiro navegar. Sua inocência rubra está espoxta aos meus toques nada sutis, arracando o nectar proibido e me afogando no vale moreno do teus peitos. Eu gozo inúmeras vezes apenas imaginando o gosto bom de tudo isso que poderiamos estar vivendo agora e me aflijo da demora que esse onibus tem de chegar na cidade em que você está vivendo agora.
Separados pelo acaso da vida e deixados de lado por tanto tempo que me questionei todos os dias se existia um Deus sob nossas cabeças ou se eu já teria sido levado ao inferno cristão, onde não existe calor humano despertando meu corpo pela manha e nem mesmo o doce beijo de tuas duas bocas, mas existia a caridade mórbida daqueles que compartilham de alguma dor qualquer. Como um presidiario eu começei a planejar a fuga de um vida sem você.
Caminhada longa em direção ao teu bairro Conceição, anunciando que eu quero o passado de volta no semblante de mulher e que sou um vadio sem alma querendo mais uma vez se esconder dentro de teu corpo e poder jorrar minhas lágrimas esbranquiçadas pela caminhada. Em minha mochila guardo o por do sol e nossas fotografias recortadas de minha memória fraca, junto com a agenda rosa que guarda teus segredos profanos, dos tempos em que eu te fazia de minha melhor tara e você se deitava comigo como se eu realmente fosse um homem de verdade.
De todas as mentiras que eu poderia te contar pra você viver feliz, fui cruel ao ponto de revelar que sou um bastardo sacana, dono de um apetite que só você saberia como saciar, te prendendo num mundo onde as roupas não eram mais necessárias e tudo que podia ser dito era descrito como num quadro de Picasso. A paixão era nossa comida e nossas linguas nos davam o que de beber, neste intenso jogo de prazeres e repulsa.
Canto nosso amor com essas palavras vorazes sabor caramelo para encantar os mais proximos e espantar aqueles que perdem o sono ao saber que cavalgo num cavalo branco acompanhado de uma mulher pura e vestindo armaduras sagradas. Sou um tolo moderno, como um Quixote sem moinhos de vento, só tendo sogras maquiavélicas e um sogro que mais me lembra um tolo, senhor de grandes chifres. Sei que só minha lingua vil n seria capaz de resgatar minha senhora dos laços negros daqueles que temem tua luz e teu sexo, mas garanto a ti que darei mais de mim para ter de novo em minha cama e em minhas manhas teu rosto de primavera sorrindo pra mim e pedindo de novo pra eu começar a tocar toda a extensão do teu corpo Brasil.
Eu te amo!

