quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Anunciação

Eu jogo meu corpo contra o teu e deixo que a gravidade nos torne um enquanto observo teus olhos cor de castanha me mostram um mar de segredos e de sonhos lambuzados, nos quais eu prefiro navegar. Sua inocência rubra está espoxta aos meus toques nada sutis, arracando o nectar proibido e me afogando no vale moreno do teus peitos. Eu gozo inúmeras vezes apenas imaginando o gosto bom de tudo isso que poderiamos estar vivendo agora e me aflijo da demora que esse onibus tem de chegar na cidade em que você está vivendo agora.

Separados pelo acaso da vida e deixados de lado por tanto tempo que me questionei todos os dias se existia um Deus sob nossas cabeças ou se eu já teria sido levado ao inferno cristão, onde não existe calor humano despertando meu corpo pela manha e nem mesmo o doce beijo de tuas duas bocas, mas existia a caridade mórbida daqueles que compartilham de alguma dor qualquer. Como um presidiario eu começei a planejar a fuga de um vida sem você.

Caminhada longa em direção ao teu bairro Conceição, anunciando que eu quero o passado de volta no semblante de mulher e que sou um vadio sem alma querendo mais uma vez se esconder dentro de teu corpo e poder jorrar minhas lágrimas esbranquiçadas pela caminhada. Em minha mochila guardo o por do sol e nossas fotografias recortadas de minha memória fraca, junto com a agenda rosa que guarda teus segredos profanos, dos tempos em que eu te fazia de minha melhor tara e você se deitava comigo como se eu realmente fosse um homem de verdade.

 De todas as mentiras que eu poderia te contar pra você viver feliz, fui cruel ao ponto de revelar que sou um bastardo sacana, dono de um apetite que só você saberia como saciar, te prendendo num mundo onde as roupas não eram mais necessárias e tudo que podia ser dito era descrito como num quadro de Picasso. A paixão era nossa comida e nossas linguas nos davam o que de beber, neste intenso jogo de prazeres e repulsa.

Canto nosso amor com essas palavras vorazes sabor caramelo para encantar os mais proximos e espantar aqueles que perdem o sono ao saber que cavalgo num cavalo branco acompanhado de uma mulher pura e vestindo armaduras sagradas. Sou um tolo moderno, como um Quixote sem moinhos de vento, só tendo sogras maquiavélicas e um sogro que mais me lembra um tolo, senhor de grandes chifres. Sei que só minha lingua vil n seria capaz de resgatar minha senhora dos laços negros daqueles que temem tua luz e teu sexo, mas garanto a ti que darei mais de mim para ter de novo em minha cama e em minhas manhas teu rosto de primavera sorrindo pra mim e pedindo de novo pra eu começar a tocar toda a extensão do teu corpo Brasil.
Eu te amo!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O teatro dos vampiros






Parece engraçado, mas essa foto deve ter uns quatro anos e eu pareço não ter sido afetado pelo tempo, pelo menos não tanto quando eu deveria.Continuo não tendo muito dinheiro e sou parcialmente distraido como na foto, o cabelo e as olheiras estam maiores bem como a barba que agora torna-se inconveniente.

Parecia que éramos felizes neste dia, mas honestamente eu não me lembro dele mais, posso dizer alguns eventos ocorridos, mas n lembro mais o que eu sentia quando estava sentado do lado de pessoas que eu deveria respeitar mais. Era um domingo, como todos os domingos deveriam ser, ensolarados e com churrasco e com amigos a volta da mesa. Celebrávamos um ano de uma de poucas coisas em comum que nós tinhamos, talvez fossem nossos sonhos ou nossas perspectivas, também não me recordo e não aceito as explicações mais levianas dos céticos, que me narram esse evento apenas como um encontro de nerds pra rolar dados e celebrar um pedaço de papel. Deveria ser alguma coisa maior que que isso.


O tempo parece injusto quando se falam das coisas que já tivemos e no dia em perdiamos a tarde inteira fingindo ser soldados, nos perdemos sem saber quem era o inimigo ou talvez tenhamos vivido num tempo de ilusão que esquecemos o que era real e verdadeiro, mas seja qual for a resposta do por que chegamos ao fim, digo que o que restou da época em que foi tirada essa fotografia, foram apenas as promessas de uma vida melhor, de que seriamos para sempre ou ao menos por uma década eternamente Seven.


Bem deve ser a maior benção do fim de todas as coisas, mas sempre fica mais claro os erros do começo quando ja estamos no fim da estrada e eu poderia apontar todos os nosso. Falamos demais, confiamos de menos e deixamos nossas sombras serem mais sinceras que o que era feito aos olhos de todos. No fim estávamos tão mortos e tão falsos que nosso sorriso era algo programado assim como os abraços e os tapas nas costas. Tudo era tão perfeitamente mentiroso que deixamos o que tinha pra ser dito ou entendido pra hora em que nada era mais sóbrio, só pra ter a desculpa de entender da forma que se melhor entende. E


Parecemos viver dez anos ou mais em apenas um mês e como conspiradores politicos deixamos de ser sete para nos tornarmos nove e a arte de atuar na mesa virou a habilidade de conviver, fingir e até as disputas eram mais uma medida de atuar, sentindo uma raiva que nem existia, só pra intensificar o que não era realidade. Mas sabiamente o tempo levou tudo embora e para os que acham que ele foi injusto, como eu, devemos perceber que quando tinhamos o presente, preferimos não entender o que era obvio naquela foto: Éramos amigos.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Uma canção de amor para Kamilla




Eu acabei de perceber que não existem textos de amor originais, pois tudo que se pode dizer sobre o amor, se tornou cliché. Desde palavras bonitas sobre o inverno no Leblon até mesmo confissões exageradas, em que me atiro aos seus pés e imploro por migalhas do teu ser, tudo já foi mostrado. Os amantes então se perdem nos inúmeros textos e canções na madrugada tentando espiar seus pecados amorosos e deixar claro para o outro o que se sente.

 Mas este é um texto de depressão, pois como todo amor o meu se encontra longe de mim, fora do alcance de minhas mãos e minha boca e talvez seja isso que o torne sublime ou até mesmo justifique os nossos rompantes no meio da avenida. Quando a solidão ataca, todo o texto de amor quando lido ganha uma verdade cruel e absoluta já que não importa o quanto clichê isso seja, mas amar é sofrer e sofrer nem sempre é tão ruim quanto se imagina.

Numa definição básica e vulgar eu sou um eterno apaixonado por tua presença solene na escuridão do meu quarto e me sinto quase como um prisioneiro no paradoxo nascido no meio do buraco que restou dos segundos em que ficamos juntos no dia antes da discórdia. Era 28 de algum César e seu corpo semi nu em meus braços banhava-me com as lágrimas de quem havia tocado pela primeira vez a liberdade e como se fossemos completos, eu deixei de respirar por mim para sentir como seria viver por você. Ninguém podia prever que se aproximava do fim.

Sem planos ou desengano eu estava a deriva no mar revolto do teu destino, com os perigos e as delicias de teus sonhos tão malucos e gostosos de se ouvir a meia luz, enquanto dávamos aquela pausa estratégica na nossa guerra canibal. De tudo que vivíamos o melhor era viver junto, sem ser sensato.

Sim, por você eu saltava janelas e inventava uma coragem que nem minha era, só para lhe arrancar um sorriso num dia triste, pois era para mim o prêmio de um dia cansativo. A simplicidade do amor não está nas cartas, afinal, e sim nos momentos em que se constrói o imaginário e se come sonhos no lugar de fumaça. Claro que estou falando palavras de um coração partido que bate atrasado por não estar nem no tempo certo e muito menos no lugar certo, já que seu lugar é onde bate o seu.

Neste momento eu celebro a nossa separação forçada negando o fato de que todos os profetas possam estar corretos ao dizer que não nascemos para nós, mas ao imaginar nos olhos dengosos e nos corpos inquietos que se entregam ao momento em que a fenda se abre e o gozo quente se anuncia no sorriso sacana, eu simplesmente digo que se só pode ser feliz se for por um grande amor.
Um conselho final para aqueles que lerem este texto medíocre sobre a mulher da minha vida, se existe a chance de se sentirem assim e se viram algum sentido nas palavras tortas e desesperadas que eu acabei de escrever neste meu notebook, eu sugiro que abram os olhos para o fato de que tem que aproveitar o amor neste exato momento. Não deixem pra depois, pois não vai existir um depois que seja melhor que o agora que se desperdiça.