segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Minha pátria amada




Existe um mundo que a gente não vê, de gente pobre que assiste uma telenovela para acalmar a sua própria dor. Existe um mundo além do nosso, que de tão perverso, ele se torna cotidiano na vida de todos que tem de enfrentar sua dura realidade. Para os que vivem num lugar além do nosso, não lhes é reservado o dom do gozo ou o prazer de um fim de tarde, mas o gosto amargo da cerveja de baixa renda, as batidas incultas do baile e o gelo do descaso.

Esses abortos do Estado estam cada vez mais proximos dos nossos olhos, rodeando nossas vidas e nossas paisagens, mas os tratamos como acidentes invisiveis do nosso cotidiano enquanto entre os beijos calorosos nos despedimos mais uma vez. O som das sirenes e o aviso negligente de um acidente se anuncia num bonde desgovernado e para nós é só carnaval e carícias, pois somos imortais, quase feitos de aço inox que não vai enferrujar.

Mais uma luz se apaga no horizonte nebuloso dessa madrugada e eu começo a criar em sonhos de papelão um castelo de areia e fazer dele nosso abrigo, sem nos preocupar com os atentados na Dinamarca ou os mortos de fome em Calcutá, já que estamos desprotegidos com nossos remédios para depressão e a anarquia de um condominio cercado.

Enquanto os homens desprovidos de cultura e carater querem nosso carro e nossas jóias eu quero te roubar cada parcela do teu gozo mais gostoso, amamentar meu futuro nos bicos rosados de seus peitos fartos e naufragar na gruta inundada que existe após o vale de rala relva negra onde repousa um escorpião vermelho, louco para envenenar minha serpente rígida.

A procura de abrigo nos deixamos levar pela influencia de vaca profana com leites estragados e filosofia de bordel, ficando a deriva nesse lar de revolução conformista enquanto nos lares a nossa volta o problema está na fome que faz uma criança calejar a mão como engraxate na Rua Uruguai.

De fome se morre e se mata, num mundo distante do nosso e por isso que com tanto espanto e admiração vivemos a observar as fábulas que contam nos jornais sensacionalistas, que nos enchem a cabeça de monstros que não encostam no nosso mundo, já que somos protegidos pelas leis, que funcionam para todos os afortunados que não dependem do tal salário minimo, que tanto falam os que não moram na nossa pátria.

E como já dizia Caetano em sua mais famosa alienação: O haiti não é aqui! Ele fica a milhas e milhas de distancia de minha casa que se protege cada vez mais dentro da bolha de suor, paixão e futilidades múltiplas, que estou acostumado a viver...




sábado, 27 de agosto de 2011

Rei da Solidão




Não venho diante desse monumento para celebrar minha dor ou cantar minha tragédia, pois sei bem que você já deve ter ouvido de minha desgraça por ai, pois vários poetas já cantaram a mesma e alguns dizem que fui traduzido em várias linguas, até nas mais antigas, sou venerado como aquele que vive sentado num trono negro adornado de saudade e com as fotos do que se passou em nossa vida.

Se nem mesmo Tim maia sabe por que você se foi, eu que não poderia compreender exatamente como você pode partir da minha vida para outro lar, com tantos planos ainda em aberto, apenas aguardando o retorno de sua primavera sorridente para poder florescer as rosas rubras de vergonha do amor que nós escancaramos aos quatro ventos.
Os dias de domingo que Gal uma vez me disse parecer ser gostoso vem com um tom amargo de derrota e ouvir a voz das suas lágrimas no vento me fazem sentir o peso da coroa que está presa em minha cabeça, fazendo-me quase ajoelhar diante da incompetencia de não poder trazer sua boca para acalentar a minha enquanto minha mão se aproveita de sua pele macia.

Vislumbro meu reino cheio de súditos e bobos da corte, tentando tirar sarro de mim enquanto deixo me despirem e analisarem as feridas abertas em meu peito, lar de nossos sonhos despedados e guardião das lágrimas que verteram de minha face quando vi você ir embora pela ultima vez.

Sem mais palavras para definir a dor que agora é minha conselheira, digo só que este é o memorial daquele que é o rei das camas vazias e senhor de todas as lágrimas perdidas no travesseiro. Um aturdido menestrel apaixonado por um momento no tempo, um verdadeiro rei da solidão.

sábado, 13 de agosto de 2011

Por que o mundo precisa do Superman?

Imaginem um mundo sem esperanças de melhora; onde estariamos solitários e sem alguém para olhar para nós; alguem que pudéssemos ajoelhar e pedir ajuda nos momentos de aflição? Imaginem um mundo sem alguém para dar o exemplo; que mostre o lado certo apesar de poder ignorar isso tudo e seguir imperando sobre os mais fracos? Este é justamente o mundo sem o Superman.
A Dc Comics já criou várias revistas que tentaram ilustrar um mundo sem o seu maior Ícone, um mundo onde ele se corrompia, mas esses mundos eram sempre ignorados ou descartados, pois ninguem consegue aceitar a corrupção dele ou conviver com o fato de que suas esperanças foram entregues ao Déspota alienígena que nos escraviza. A verdade é que não concebemos de verdade a corrupção dos ideais que nós admiramos, mesmo que sejamos corruptos.

Ontem eu estava pensando muito sobre a analogia do Superman, pois apesar de ser um jovem que cresceu cercado de HQs e Gibis, eu odiava o esse Kriptoniano com todo o fervor de minha alma.Sempre achei que alguém com tanta responsabilidade e alma humana não resistiriam por muito tempo sem se corromper e entregar nas mãos Dele o nosso futuro era um erro. Por isso eu sempre preferi um cara que veste preto e inspira o medo, mas sobre ele eu falo depois. O fato é que o Superman sempre me inspirou insegurança, pois eu não possuia fé nele.

Eu cresci, me tornei o que a sociedade chama de "adulto" e me vi num mundo sem esperança, com pessoas perdidas sem saber o que fazer e eu era uma dessas pessoas.Mas num dia sem chance de dar certo eu acabei conhecendo alguém que estava tão perdida quando eu. Talvez tenha sido amor a primeira vista ou a segunda, mas o fato é que eu ao lado dela me tornei um alienigena, um ser invulnerável, com peito de aço e olhos laser, que era capaz de protege-la de todos os males e principalmente, eu poderia voar. De uma hora pra outra eu me tornei, pra alguem tão perfeito o seu super-herói, com calça jeans e moleton. Um Don Juan as avessas, que saltava de janela quando o perigo se aproximava, mas aguentava as consequencias dos atos insensatos dessa mulher tão menina.

Eu me tornei um exemplo de tudo que eu não sabia inspirar, pois como eu disse antes, não acredito no Superman, mas acreditava em que proteger aquela menina era o que eu deveria fazer. Mas eu fracassei. Ela acabou indo morar distante de mim, retirada dos meus braços impotentes e se foi. Foi quando eu me senti um fracasso diante do mundo, pois não fiz a unica coisa que me auto-designei: Proteger.

O Superhomem não existe como nos quadrinhos, pois ele é uma inspiração, algo para ser olhado com admiração e fazer com que se impulsione o lado bom de todas as coisas. Mesmo tendo o peito de aço e olhos fulminantes, ele ainda é só um homem, que tem fraquezas, mesmo que raras e tenta a todo o custo suportar nas costas o peso de um mundo que o critica. O herói da revistinha é uma grande analogia ao pai de familia, ao marido fiel e a todos que se dedicam imensamente ao dever sem mesmo dar espaço para os sentimentos de vaidade.

O superman existe para lembrar que somos capazes de voar, proteger, pois somos homens e apesar de toda a kriptonita ou magia existente, vamos superar os desafios, pois existem pessoas que precisam de nós e esse é o gás que nos faz continuar todas as noites e dias com a garra de vencer.É o mais importante de todos os heróis, pois ele é o exemplo a ser seguido.

A triste moral dessa história é que até mesmo o Superman precisa de um Superman, pois ele é um exemplo a exemplo de alguem que veio antes, mas filosofar sobre isso me custaria muito tempo e o que eu queria dizer já foi realmente dito. Todas são as razões por que o mundo precisa de um superman, é por que precisamos de alguém para inspirar aquilo que vamos inspirar, numa grande corrente para o mundo ou além...