sábado, 22 de junho de 2013

Replicante



Em tempos sórdios a carne pérvida é flagelada por todos que tem vergonha de por onde gozam e viram a cara diante do falo que os atrai. A sociedade nos castra e sem ter por onde, vão tomando o lugar do seu próprio prazer, substituindo teu futuro por algo que possa ser vendido junto com sua roupa intima, seus sonhos e sua coisa tão delineada por Deus e coisa e tal.

Me vesti da pele dos hipócritas para estuda-los melhor e em pouco tempo também comia da comida deles, partilhava suas visões e ainda podia, sem excessos e dentro de quatro paredes praticar meus hobbies. Beijar raposas e dividir gozo da minha companheira foram muitas vezes o que eu praticava quando estava sozinho, mas me especializei em ressucitar depois das dez ou a qualquer momento no inverno e foi assim que me desdobrei mais vezes em novos nomes e distinções, vivendo do ócio e do casamento com o acaso.

Amendrontei a minha liberdade e dei a ela um novo nome, para que os idólatras da sociedade dos extremos não vissem que eu era mais que eles, tendo sob meu poder a determinação do meu prazer, sendo eu quem decide sobre quem cairá meu leite. Eu era ao mesmo tempo eu e outro ser diferente pelo paradoxo que era viver entre eles e amar ter até o talo mais do que faz minha boca desejar engoliar, morder e salivar.

Piratas saqueando o prazer e outros roubos comuns de identidade enfeitaram minhas noites desde então e quando eu ousava caminhar sob as sombras do vale da morte, me deparava com as putas e os vadios ou melhor, meus amigos e amigas, e seus olhos imploravam para que eu me livra-se da marca sombria e viesse para seus braços curtir o carnaval oculto que se dissipa sempre que o sol crê poder brilhar mais que qualquer um de nós.

Após anos preso entre os hipócritas, me mutilei e regenerei meu membro um número interessante de vezes, sendo punido pelo ciúme de acreditar ser ainda dono do meu corpo e não mais um produto do Estado que infecta com sua doença do certo e levando meu eu ao duvidoso. O lixo e o luxo sendo vendidos ao mesmo preço e eu ali querendo apenas ser imortal, manisfestando minha presença na história enquanto dançava conforme a música dos nomes anônimos.

Quando encaro meu espelho e o interrogo, não sei se sou eu ou outro que responde que está cansado de estar ali, resistindo aos danos causados pelas bombas atômicas das lágrimas que rolam em todo término de ciclo. Sem amores e sem temores para aqueles que andam entre os dois mundos e sabem como comer, beber e sobreviver com as dobras que fazemos pelo caminho.

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