Deitado ali estava meu corpo nu e sem vergonha dos pedestres que aturdidos temiam meu sexo, como se ele fosse um ato descomunal de pura revolta contra o pinheirinho invadido na outra capital e talvez por isso tenha cravado minhas raízes tão profundas nesta esquina de ponto para meretrizes e rapazes de escolta.Estar ali me tornava, porém um revolucionário, pois estava exposto todo meu real desejo e tão provocante me tornei que aceitaram meu preço e ainda me compraram várias vezes, só pra me guardar de recordação em uma estante vazia, só por alguns instantes. Eu me sentia cada vez mais provocante por ser de aluguel, pois me orgulhava da virilidade exibida nas fotografias e nas marcas roxas das madames e sendo assim, ninguém podia notar a fragilidade do meu ato desesperado e nem notar as pequenas gotas salgadas que rolaram para meu queixo e morreram num salto suicida para o solo úmido e frio.
Eu entro em mais um carro e ele deve ser casado, mas não me interessa o anel em seu dedo e sim aquele que será queimado nas próximas horas. Sua sexualidade não é abalada já que sua posição social não deixa e eu tenho certeza disso por que quando me pego sodomizando ele, vejo seu sorriso de quem não se importa em estar de quatro diante do meu inexplicável membro rígido como a ditadura. Pra ele eu era punição de um mundo injusto e macho demais, talvez eu fosse até sua carta de alforria, libertando a bixa de dentro do pai de família, e por duas horas ele seria piranha, como a garota que me assiste no quarto ao lado e conversa comigo por alguma rede social que não põe face a face toda a solidão da madrugada fria.
Ela me julga por eu julga-la com aquele baseado desnecessariamente bem posto na sua boca e teme o meu riso para o seu namoradinho tem medo de mim, algo justificado por ter já comprado da minha boca um pouco de prazer e se contorceu apenas comigo fumando o dele, só pra dar de beber uma boca sedenta de por palavras amenas. Ela ri do meu desencanto, só por que não quer gastar comigo seu dinheiro, mas me dá de graça o que outros pagariam o dobro para ter. Nego pra ela tudo que posso, mas a verdade é que quando estamos sós o mundo é mais que suficiente para o nosso jogo e que meu membro fica sempre mais viscoso depois de sair de dentro das fantasias de princesa.
Os montes violetas que se aprumam no bico do seio dela, são tão fortemente mordidos por mim que quando acordo noto que a minha cliente deixou para trás todas as cores azul e amarela que enchem a minha carteira de uma fauna em extinção, bem maior do que o combinado. Ela acende mais um baseado do meu lado e me oferece a chance de perder tudo pelo que lutamos e se esquece do que prometeu, por que a dor de ser abusada é maior que a dor de não ser descente e por isso enlouquecer é a unica resposta que ela tem pra tudo que ela vive.
Eu sou um puto em devaneios que me fazem crer que sou centauro, metade homem e a debaixo de cavalo, que só serve pro coito e nada mais, só que no fim da festa o vencedor encontra-se perdido e só, como numa canção que me diz que tudo vai mal e que só nos resta viver sem compromisso e isso é sobretudo a lei dessa infinita highway .
Para dormir bem diante dos abusos que causo a mim mesmo, vou lhes contar que a minha maior tristeza é estar aqui diante dos falos e dos faunos e nem mesmo sentir o calor da pele de uma fulana qualquer para justificar o segundo prazer mais baixo do meu lado macho: Sorrir. Mas como se sabe do meu triste ofício, com amor e com paixão é bem mais caro. Vire pro lado agora e pode descansar...
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