Já ouvi todas as músicas que fariam a minha dor diminuir, mas o peso dos títulos e dos romances que nasceram nesses muitos dias em que nos deitamos em camas de espinhos. Há amargura em nossos toques, sem a menor chance de rendição dos desejos de ambos os lados, criamos uma guerra fria, cheia de esquifes de gelo e madrugadas iluminadas com o suave branco de Selene, deusa graciosa da lua.
Somente mágoa resta em meu peito e a maioria vem dos meus erros que você decorou muito bem e os copia como eximia maestria mostrando o monstros que eu criei e agora adormece em meu lado, como se eu fosse nada além de um troféu estranho que não é capaz de abrandar seus desejos tão solitários. Os dedos ávidos escrevem a história e os romances se iniciam tão alheios a nossa vontade que quando olho esse estranho lugar entre o inicio e o fim do nosso romance, vejo as conversas na ponta do ouvido e as lágrimas que preenchem meu peito e afogam tudo que eu penso.
Você chora, mas deseja outro, me lembrando que sou apenas um acidente que surgiu e nada mais. E nos momentos de dúvida que me passam quando vejo que a pessoa que dorme comigo sente o cheiro de outros, reparo que não te conheço e não creio no amor que jura ter, como se eu fosse realmente alguém que mexesse contigo e não um efeito colateral de uma noite fria num bar, onde todos estavam perdidos.
Antecipo minha partida, pois sei que ao anoitecer teremos o eclipse total do nosso coração e nesse momento tão oportuno o ômega negro dos assassinos hindus vai degolar meu amor, num jogo de bolas e com sabor de cerveja. O fim será na cama de motel em que aquilo que tanto quis irá acontecer e eu serei jogado naquele limbo solitário que todas as almas tão solitárias vão vagar para beber e esquecer dos romances que não deram fruto nenhum.